Dia da Consciência Negra | Negros e Negras foram protagonistas na história do Sindipúblicos

“Ser antirracista precisa ser um princípio dos trabalhadores e trabalhadoras”
17 de novembro de 2023
Ato Público | Servidores cobram reestruturação das carreiras com cargos extintos na vacância 
21 de novembro de 2023

À frente do seu tempo, o Sindipúblicos sempre teve uma diretoria diversa com a presença de negros e negras na diretoria e na presidência.

Nesta data de fundamental importância para a classe trabalhadora, o Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, o Sindipúblicos reverência toda população negra capixaba e os servidores e servidoras estaduais afrodescendentes pela contribuição e de sua ancestralidade na formação, desenvolvimento e lutas pelo estado Espírito Santos, ao longo da história.

Em um Estado com 56,1% da população negra, a importância de refletirmos sobre os negros e negras na sociedade capixaba, passando pela luta sindical no serviço público é fundamental. 

20 de Novembro é tempo de celebrar a influência determinante da Cultura Negra e sua potência na viabilização da identidade do Brasil, em todas as áreas do saber e do fazer. Reconhecer e valorizar tal espólio civilizatório, assim como, compreender a profundidade da relevância deste legado, é tarefa de todos nós, representando evolução e justiça.

Ao longo desses 34 anos de Sindipúblicos, a presença ativa dos negros e das negras na Diretoria e espaços de tomada de decisão foi uma constante. Em destaque, os presidentes Chiquinho e Haylson (foto), negros que estiveram desde a fundação do Sindicato lutando pela categoria. 

Atualmente podemos destacar que nossa diretoria é composta por negras de valor e muita força: Emmanuelle Pena de Oliveira, na Secretaria de Administração e Patrimônio e Edismar dos Santos Ribeiro, que está assumindo a Secretaria de Cultura, Eventos e Serviços. 

“É muito importante ter o lugar de fala, pois somos a maioria, porém desvalorizada. Como mulher negra. Afirmo que somos julgadas o tempo todo, temos que acabar com isso e lutar para que mais políticas em prol da comunidade negra seja feita para ter igualdade” comenta Emmanuelle de Oliveira.

Podemos ainda citar vários outros companheiros e companheiras de luta que estão e/ou estiveram na diretoria como Magna Manoeli, Rodolfo de Melo, Mauro Ribeiro, Maria Betânia Silva Baul, Marco Antônio Jacintho, Ismael Gomes Junior. Além de nossos inúmeros sindicalizados pretos e pretas que estão conosco na luta. 

A defesa de políticas públicas para a população negra sempre esteve presente na nossa luta: caminhando com o movimento negro, denunciando o extermínio da juventude preta, cobrando cotas nas diversas instâncias, inclusive nos concursos públicos, denunciando o racismo. 

Seger Racista

Quanto à questão de cotas, é preciso registrar a atitude racista da Seger de Marcelo Calmon que, durante a nomeação dos aprovados, desrespeitou a legislação de cotas nos últimos concursos, precisando de encaminhamento jurídico.

À época, o Sindipúblicos inclusive noticiou que “mesmo havendo intimação do Governo do Estado e da Seger acerca de decisão que determinava a nomeação de candidato aprovado na reserva de vagas, mas preterido na classificação do concurso, a Seger insistiu em manter a classificação errada do certame na chamada para nomeação e posse publicada no Diário Oficial, gerando prejuízo para todos os candidatos cotistas que aguardam na fila do concurso”. 

“Como foi sofrida essa questão do desrespeito das cotas. A lei é bem clara. Ela garante, no mínimo, 20% de pretos e pardos na disposição das vagas. E ela diz que o negro, que tiver nota suficiente para passar na autoconcorrência, não faz jus às cotas. Ou seja, ele deve ocupar duas listas, duas vagas. E onde chamar primeiro, ser nomeado. Mas isso não foi respeitado.  Nós, negros que se sentimos lesados, montamos uma comissão e procuramos o Sindipúblicos. Sem o Sindicato, talvez a gente teria até desistido, porque a Seger insistia tanto que a gente não tinha direito, que estávamos começando a aceitar esse fato, mas com a orientação do Sindicato conseguimos reverter a situação. Mesmo sem o Sindicato poder nos apoiar diretamente, pois não éramos servidores, nos acolheu e nos ajudou a vencer essa injustiça. Sou muito grato e sempre falo da importância de se filiar” comenta William Ferreira, Agente de Suporte Educacional.

Negros no Serviço Público [federal]

  • Pretos e pardos representam 56% da população brasileira e apenas 36% do serviço público federal. 
  • Baixa representatividade na máquina pública – dos 240 cargos de Direção e Assessoramento Superior nível 6 (maior cargo em âmbito federal), apenas 35 são ocupados por negros e negras. 
  • Brancos ganham mais só devido à pele – a renda dos homens brancos em 2020 foi R$5.502 a mais de um homem negro e R$2.958,70 em relação às mulheres negras. 

“Não restam dúvidas que a luta por igualdade no Brasil se faz presente e necessária. Lutar por reparação aos povos indígenas e negros no Brasil está na raiz da superação das desigualdades. Para tanto, só um poder público em que brancos e negros influenciem nas decisões em condições de igualdade (nesse caso de espaço e renda), é que começaremos a enfrentar os reais problemas provocados pelo racismo colonialista que atua no pensamento e nas estruturas da sociedade brasileira” avalia André Carvalho, assessor político do Sindipúblicos.

Por tudo isso, o Sindipúblicos reforça o compromisso de lutar sempre por políticas afirmativas que garantam cada vez mais uma sociedade sem preconceitos.

 

 

Douglas Dantas com colaboração Tiago Viana e André Carvalho.