

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) levou à II Conferência Nacional do Trabalho (II CNT), realizada em São Paulo, uma pauta ampla que inclui demandas de servidores e trabalhadores, defesa da negociação coletiva e o enfrentamento à violência contra as mulheres. O evento, que acontece até quinta-feira (5), reúne representantes do governo federal, empresários e trabalhadores em um espaço tripartite de diálogo social.
Na abertura oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a conferência é um exemplo vivo de democracia. “O resultado final desse debate será muito melhor se for fruto de um acordo entre empresários, trabalhadores e governo”, afirmou. Para Lula, mudanças nas regras trabalhistas só podem ser construídas com diálogo, evitando a judicialização excessiva das relações de trabalho.
O presidente da CUT, Sérgio Nobre, reforçou a necessidade de retomar o diálogo tripartite e criticou a escala 6×1, defendendo mais tempo para que os trabalhadores possam conciliar vida profissional e familiar. “Não se trata apenas de jornada de trabalho, mas de qualidade de vida”, disse. Ele também lembrou experiências históricas, como a Câmara Setorial Automotiva nos anos 1990, que ajudou a salvar a indústria automobilística por meio da negociação entre governo, empresários e trabalhadores.
Outro ponto levantado por Nobre foi o aumento da judicialização das relações de trabalho. Segundo ele, apenas em 2025, mais de 2 milhões de novas ações trabalhistas foram registradas na Justiça do Trabalho, reflexo da falta de espaços de negociação. “Temas centrais do mundo do trabalho têm sido deslocados para o Judiciário e para o Legislativo, muitas vezes sem a mediação da negociação coletiva”, alertou.
Além das pautas diretamente ligadas ao trabalho, a CUT e as centrais sindicais anunciaram o lançamento de uma campanha nacional de combate ao feminicídio no próximo dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. “O feminicídio não é um tema das mulheres, é um tema de toda a sociedade, em especial dos homens”, afirmou Sérgio Nobre. Lula também defendeu mudanças culturais profundas para enfrentar a violência contra as mulheres: “Homens e mulheres devem ser tratados como iguais. Não existe essa história de o homem ser dono da mulher”.
A II Conferência Nacional do Trabalho discute ainda temas como qualificação profissional, proteção social, inclusão produtiva e transição justa diante das transformações tecnológicas, digitais e ecológicas. As deliberações aprovadas na plenária final, marcada para o dia 5, servirão de base para orientar políticas públicas de emprego e renda nos próximos anos.
Tem um artigo inspirador, uma análise relevante ou uma pauta que merece atenção? Compartilhe com seus colegas enviando para jornalista@sindipublicos.com.br e ajude a dar voz às ideias que fortalecem nossa luta; juntos, construímos um Sindicato cada vez mais forte, atuante e conectado com a categoria — participe, contribua e seja protagonista dessa história!
Quem faz o Sindicato somos nós!
E quem representa você é o Sindipúblicos! Filie-se!
Texto: Douglas Dantas com informações da CUT. Foto: Divulgação