

Por Douglas Dantas*
Em pleno ano de eleições municipais, o governador Renato Casagrande ofereceu um reajuste bem abaixo das perdas salariais acumuladas. Mesmo com o governo estadual tendo bilhões em caixa e margem para recuperar as perdas, o anúncio do reajuste de apenas 4,5% pode impactar diretamente nas eleições municipais de seus aliados em todo o Espírito Santo.
Enquanto o governo anunciou 4,5%, apesar das perdas só em seu governo ultrapassarem 20%, os salários do alto escalão tiveram um aumento de até 70%, sendo que o do próprio governador terá um aumento de 12% até 2025.
Enquanto a equipe de governo parece fazer cálculos para aumentar o bolo do superávit, mas sem o dividir com quem fez o bolo crescer, os servidores, a mesma equipe parece esquecer que, em política, os cálculos não são exatos e precisam medir a influência social, que irá garantir qualidade de vida a seus servidores, refletindo em toda sociedade. Além da influência eleitoral.
Considerando que o governo estadual possui mais de 93 mil servidores, e cada pessoa, estima-se que influencia até 5 votos, o governo pode estar jogando no lixo o apoio de quase meio milhão de eleitores. Número considerável para eleger, ou não, prefeitos apoiados pelo governador.
Um servidor insatisfeito com a política econômica de Casagrande tende a não votar nos seus aliados, e muito menos defendê-los para conquistar votos. Em efeito cascata, servidores municipais tendem a recuar de aliados apoiados por Casagrande com medo da falta de valorização também atingir a gestão municipal.
No entanto, o reajuste não foi aprovado na Assembleia Legislativa, tendo a chance do governador e seus aliados rever esse vergonhoso índice oferecido aos servidores que fazem o Espírito Santo figurar entre os únicos quatro estados que terão superávit em 2024.
* Diretor do Sindijornalistas, vice-presidente Sudeste da Fenaj e jornalista do Sindipúblicos.