

Com a reeleição do governador Casagrande, as nomeações para a gestão de 2023 começam a ser articuladas para a renovação de algumas posições do secretariado, entre elas a escolha de um novo secretário de saúde já é esperada uma vez que o atual, Nésio Fernandes, integra a equipe de transição do Governo Lula, com possibilidade de ocupar um cargo no Ministério da Saúde.
O Coletivo Defensores do SUS, integrado por servidores da Sesa, divulgou uma carta aberta, protocolada nesta quarta (14) no Palácio da Fonte Grande, em defesa da permanência do Secretário de Estado da Saúde interino, Tadeu Marino, e do Subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin.
As articulações para nomear quem estará à frente da pasta da Saúde repercutiram após a indicação do ginecologista e empresário Remegildo Gava Milanez, feita pelo vice-governador Ricardo Ferraço com apoio de setores da classe médica capixaba, segundo informações dos jornais Século Diário e ES 360.
No documento, o coletivo afirma ter tomado conhecimento “de que um médico, representante do grupo Athena Sudeste, responsável pela aquisição de vários hospitais e clínicas particulares e até mesmo de um plano de saúde, em vários estados da federação, estaria disposto a assumir a pasta da saúde, com o apoio do Conselho Regional de Medicina (CRM)”.

A carta reconhece a reputação e experiência no setor público do pediatra José Tadeu Marino do enfermeiro Luiz Carlos Reblin, como trabalhadores sintonizados com as demandas do Sistema Único de Saúde com capacidade de governar a Sesa “de forma a atender às necessidades da população capixaba, trabalhando em sintonia e cooperação com os 78 municípios capixabas e com os trabalhadores e gestores da saúde”.
Presente no Palácio da Fonte Grande com companheiros do coletivo Defensores do SUS para protocolização do documento, a diretora de finanças do Sindipúblicos, Magna Nery Manoeli falou sobre o risco de gestões privatistas da saúde pública, representado na indicação de Remegildo, que tem uma sólida carreira construída na rede privada hospitalar do Espírito Santo.
“O prejuízo dessa nomeação para a sociedade é continuidade do processo que temos assistido nas últimas décadas, em que o serviço da saúde capixaba vem sendo privatizado e entregue para o empresariado, como as organizações sociais que estão dentro do nosso estado. Com isso, vários serviços especializados deixaram de ser públicos e estão nas mãos de clínicas particulares e hospitais privados. Então é com muita preocupação que nós vemos um movimento de aprofundamento da entrega da gestão pública da saúde para o sistema privado”, analisa.
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