Ceturb/ES, 40 anos: competência técnica sustenta o Transcol, mas falta diálogo com o passageiro

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Em quatro décadas, Companhia estruturou a mobilidade da Grande Vitória. Agora, o desafio é modernizar a comunicação e garantir investimento para acompanhar a expansão do sistema

Por Mauro Ribeiro*

A Ceturb/ES completa 40 anos nesta sexta-feira, 15 de maio. Fundada em 1986, a companhia se consolidou como eixo do transporte público na Grande Vitória. Hoje gerencia o Sistema Transcol e, desde 2017, o transporte rodoviário intermunicipal, conectando rotina, trabalho e estudo de centenas de milhares de capixabas.

Os números mostram a dimensão da operação: 1.700 veículos em circulação, 600 mil passageiros transportados diariamente e cumprimento médio de 98% das viagens previstas. O reconhecimento técnico veio com ferramentas desenvolvidas internamente, como o mapeamento de 6.000 pontos de parada em três meses e o modelo de Câmara de Compensação, referência nacional no planejamento de transporte.

A história da Ceturb é marcada por soluções robustas e pela resistência de um corpo funcional que manteve o caráter público do serviço mesmo diante de investimento limitado e pressão por modelos de Estado reduzidos. É essa base técnica que sustenta o sistema no dia a dia.

O aniversário, porém, escancara um gargalo. A companhia ampliou a atuação para novos modais e operações, como Rodovia do Sol, Terceira Ponte e Aquaviário, sem aumento proporcional de receita. O caixa esticado pressiona a gestão e cobra resposta.

O desafio mais urgente está na relação com quem usa os ônibus. A gestão participativa com federações e associações de moradores é histórica, mas o sistema perdeu conexão direta com o passageiro. Melhorar a percepção do serviço exige ocupar canais modernos de comunicação: redes sociais para diálogo em tempo real, vídeos e áudios explicativos sobre integrações e direitos do usuário, e acesso intuitivo a horários e itinerários.

Esses 40 anos são um chamado à evolução. A população quer mais do que o aceitável. Para isso, a empresa precisa de concurso público e novos investimentos que acompanhem a expansão do sistema.

A competência técnica está comprovada. O próximo passo é traduzir essa capacidade em comunicação humana e tecnológica, focada em quem espera no ponto de ônibus.

*Por Mauro Ribeiro. Trabalhador da Ceturb e vice-presidente do Sindipúblicos

 

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Texto: Douglas Dantas Foto: Divulgação