

As cenas do último dia 19 de julho só comprovam a ação desastrosa do BME, a comando do governador Casagrande, para tentar conter as manifestações populares. No lugar de ações efetivas que atendam a pauta de reivindicações entregue ao governo em reunião com os manifestantes no último dia 02 de julho, o executivo respondeu com violência à toda população indiscriminadamente.
Acostumado a enrolar os servidores e a sociedade, com reuniões e mais reuniões, e sem nenhuma negociação ou atitude, mas simplesmente mantendo imposições, o povo não aceitou a atitude do governo e continua nas ruas.
Após o governador e os deputados estaduais terem combinado sorrateiramente a defesa do pedágio da Rodosol, a população saiu novamente às ruas no último dia 19 de julho e foi violentamente atacada por balas de borrachas, spray de pimenta e gás lacrimogêneo.
Passado alguns dias da ação repressiva, questionamentos continuam sem explicação:
– Muitos filmaram, fotografaram e presenciaram vândalos com machadinhas quebrando pedras portuguesas bem antes dos demais manifestantes chegarem ao Palácio Anchieta. Por que o BME não agiu imediatamente?
– Um manifestante chegou a entrar no Palácio, mas mesmo com centenas de policiais em seu interior, a PM foi “ineficiente” em detê-lo?
– O Secretário de Segurança, André Garcia, em reunião com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sindijornalistas/ES e Sindiradialistas/ES garantiu que jornalistas, profissionais da imprensa e manifestantes que estivessem registrando os fatos não seriam agredidos. No entanto, uma jornalista foi presa, e dois cinegrafistas foram atingidos por bala de borracha a queima-roupa. No momento da agressão dos cinegrafistas, nossa equipe de comunicação e diretores do Sindipúblicos estavam presentes e também foram alvo dos tiros, presenciando o BME atirar sem respeitar nenhum protocolo. No lugar de atirar para o chão, atiraram contra a imprensa.
– Mesmo condenado pela ONU e demais organizações internacionais de Direitos Humanos, o BME capixaba estava com armas letais. Relatos e filmagens monstram que policiais chegaram a ameaçar manifestantes.
– Quais eram as orientações para a prisão das pessoas? Muitos suspeitos foram liberados e trabalhadores, como o caso de dois servidores públicos e profissionais da lanchonete “Zé Coxinha”, que saiam de seus locais de trabalho, foram abordados e presos. Ao todo 60 pessoas foram presas.
– A polícia é militar, e por isso recebe ordens, quem deu essas ordens de ataques indiscriminados à população após toda a quebradeira ocorrer?
– Sendo a ação do BME realmente legítima, qual o motivo dos policiais agredirem quem tentava filmá-los, fotografá-los? Seria porque estavam sem identificação, seria porque estavam armados com armas letais, seria porque a polícia estava mascarada?
O Sindipúblicos repudia qualquer cerceamento à liberdade de imprensa e de expressão e ações violentas contra a população. Defendemos um Estado Democrático de Direito que se faz com ações que atendam a sociedade. Não adianta apenas o discurso. É preciso que as promessas se concretizem.
Precisamos de um governo que respeite o Estado Democrático de Direito e a população, e não que defenda com tanto clamor um contrato cheio de vícios e de irregularidades, como o da Rodosol, que financia campanhas políticas em detrimento da sociedade.