Ato no Paulo César Vinha denuncia proposta de privatização 

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No próximo dia 11 de janeiro, às 8h30, o Movimento em Defesa das Unidades de Conservação do Espírito Santo realizará uma manifestação na entrada do Parque Estadual Paulo César Vinha, em Setiba, Guarapari, em defesa do direito ao acesso público e da preservação da sociobiodiversidade contra o Programa de Desenvolvimento Sustentável das Unidades de Conservação (Peduc), que prevê a concessão de parques estaduais à iniciativa privada para exploração turística por 35 anos.

O ato é mais uma ação de mobilização da sociedade civil contra o programa da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), de Felipe Rigoni.

Silvia Sardenberg, secretária-geral do Sindipúblicos e servidora do Iema, reforça o papel fundamental do Sindicato na luta pela preservação ambiental e contra o avanço de políticas que privilegiam interesses privados em detrimento do bem público.

“O Sindipúblicos tem se posicionado de forma firme nesta manifestação e em outras ações em defesa das Unidades de Conservação, pelo fortalecimento do Iema e contra políticas de entreguismo. Precisamos valorizar o papel do Estado na gestão ambiental, garantindo inclusive concursos para a Seama e o Iema, e com isso reafirmar que essas áreas permaneçam como patrimônio de todos, e não como produto para exploração econômica privada.”

Darí Lourenço Marchesini, militante do Comitê Popular, alerta que a proposta pode levar à elitização do turismo, limitando o acesso ao parque. “Ao conceder a uma empresa e tornar o parque um espaço de exploração econômica, a população que não tiver condições financeiras para consumir, não conseguirá mais acessar”, afirmou. Ele também destacou a falta de transparência do projeto: “Estamos lutando para abrir o debate com a sociedade, porque a população precisa saber o que está acontecendo e ter direito a voz.”

A modelagem da concessão, elaborada pela consultoria Ernst & Young ao custo de R$ 8 milhões e sem licitação, prevê a construção de grandes estruturas em áreas de proteção integral. O projeto foi divulgado antes de consultas populares e sem considerar as contribuições do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Os servidores da autarquia tiveram somente acesso superficial às propostas com apenas um dia de antecedência a sua publicação na mídia.

O ato integra uma série de mobilizações articuladas por movimentos sociais, comunidades locais e ambientalistas preocupados com o impacto do Peduc. No dia 6 de dezembro, durante a discussão sobre o novo plano de manejo do Parque Estadual Paulo César Vinha, conselheiros e ambientalistas rejeitaram alterações que previam a redefinição de zonas de proteção para expandir atividades turísticas, cobrando maior transparência no processo.

O movimento também alerta para o risco de degradação ambiental e a possível extinção de espécies ameaçadas, como o sapinho-da-restinga (Melanophryniscus setiba), destacando que mudanças nos planos de manejo violam os princípios da preservação ambiental. A comunidade é convidada a assinar o abaixo-assinado contra a concessão, participar das redes sociais do movimento e visitar o parque para apoiar sua preservação.

As mudanças propostas, que desrespeitam o legado do ecologista Paulo César Vinha, assassinado em 1993 enquanto combatia a exploração ilegal de areia na área, reforçam a importância de resistir à privatização. “O Estado tem condições de proteger a biodiversidade e garantir o acesso público ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Essa é uma luta de todos nós”, concluiu Darí Marchesini.

 

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