

Na manhã deste sábado (11), manifestantes se reuniram na entrada do Parque Estadual Paulo César Vinha, em Setiba, Guarapari, para protestar contra o programa estadual que prevê a concessão dos seis parques estaduais para exploração econômica por 35 anos. A iniciativa, liderada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), de Felipe Rigoni (União Brasil), tem gerado intensa oposição de ambientalistas, comunidades locais e organizações da sociedade civil.
Com faixas e cartazes exibidos às margens da Rodovia do Sol, os manifestantes expressaram descontentamento com o governador Renato Casagrande (PSB) e o secretário estadual de Meio Ambiente, Felipe Rigoni (União Brasil), acusando-os de priorizar interesses privados em detrimento da preservação ambiental. Frases como “Casagrande, traidor do meio ambiente” e “Rigoni = Salles capixaba” marcaram o tom do protesto.
O Programa e Suas Implicações
Instituído pelo Decreto n.º 5409-R, de junho de 2023, o Programa Estadual de Desenvolvimento e Uso Sustentável das Unidades de Conservação (Peduc) abrange todos os parques estaduais: Paulo César Vinha (Guarapari), Itaúnas (Conceição da Barra), Cachoeira da Fumaça (Alegre e Ibitirama), Forno Grande e Mata das Flores (Castelo), e Pedra Azul (Domingos Martins). A ideia apresentada para a concessão inclui a instalação de estruturas turísticas como teleféricos, tirolesas, hospedagens, restaurantes e trilhas suspensas, o que tem gerado preocupações quanto ao impacto ambiental e à elitização do acesso às áreas de preservação.
Hugo Cavaca, biólogo e ex-conselheiro do Parque Paulo César Vinha, critica a falta de transparência no projeto e os possíveis danos ambientais. “Estamos resistindo a um modelo que ignora a participação popular, ameaça áreas sensíveis e desrespeita o legado de Paulo César Vinha, que dedicou sua vida à proteção ambiental”, afirmou.
Mobilização Popular
Organizado pelo Comitê Popular de Luta e pela Comissão em Defesa do Meio Ambiente de Vila Velha, o ato incluiu atividades informativas, como panfletagem e dinâmicas com crianças.
Silva Sardenberg, secretária-geral do Sindipúblicos, destacou a adesão ao movimento: “Foi marcante ver tantas pessoas que desconheciam o projeto e, ao tomarem conhecimento, se posicionaram contra.”
As audiências públicas, que só ocorreram após pressão da sociedade e, mesmo assim, foram realizadas pela Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, e não pela Seama, têm demonstrado ampla rejeição ao projeto.
Especialistas alertam que a exploração econômica pode comprometer os frágeis ecossistemas dos parques, além de aumentar pressões antrópicas, como invasões e práticas predatórias.
Reações e Exigências
Ambientalistas e moradores questionam também o contrato de R$ 8 milhões com a consultoria Ernst & Young, firmado sem licitação para desenvolver o projeto. A proposta carece de estudos adequados e ignora os princípios dos planos de manejo que regem as unidades de conservação.
Em manifesto contra a proposta, que pode ser assinado aqui, os manifestantes reforçam a demanda por um modelo de gestão pública que priorize a proteção ambiental e os interesses coletivos. O movimento contra a privatização dos parques promete continuar, com novas ações planejadas para ampliar a conscientização e fortalecer a resistência.
Um Legado em Jogo
O Parque Estadual Paulo César Vinha, nomeado em homenagem ao ecologista assassinado em 1993, simboliza uma luta histórica pela preservação ambiental no Espírito Santo. A possível concessão da área é vista como um retrocesso por quem defende a manutenção dos últimos refúgios naturais do estado, em nome do equilíbrio ecológico e das futuras gerações.