Artigo – As novas tecnologias e a mobilidade urbana

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Não faz tanto tempo, que em coro, técnicos da área de transporte coletivo, arquitetos urbanistas, engenheiros de trânsito e outros profissionais eram quase unânimes em responder que, o problema do transporte coletivo era a circulação do transporte individual. O transporte individual, o grande vilão. Eu mesmo não sei quantas vezes vi imagens comparativas de um ônibus e carros, em comparação ao cidadão transportado e o espaço público ocupado como exemplo.

O tempo foi passando, detalhe: rapidamente, e as novas tecnologias hoje apresentam o transporte individual como solução para a mobilidade urbana, principalmente, por esse, inicialmente atender a três desejos básicos do cidadão cliente: conforto, rapidez e segurança. Agora ele avança para outro desejo do cidadão: transporte barato, seduzindo cidadãos até então invisíveis para o serviço tradicional de táxi, inclusive colocando em condição de risco financeiro o serviço de transporte coletivo por ônibus, esse, no Brasil, tradicionalmente voltado às classes C e D.

Solicitar UBER para deslocamentos compactos para um grupo de três pessoas, número confortável para ser acomodado no transporte individual, sai mais barato do que deslocar por ônibus a família para um shopping qualquer, localizado até cinco quilômetros de sua residência. A acessibilidade financeira proposta por essas soluções, em uma rápida pesquisa de valores não vai parar nos aglomerados urbanos: já é possível comprovar que um deslocamento de três pessoas de Vitória à Guarapari, ou à Domingos Martins, sai mais barato do que você usar o transporte rodoviário. Sendo importante ressaltar que a caminho da terra capixaba se encontra o concorrente do UBER, a startup 99. Os tradicionais taxistas, pelo que observamos estão deixando as brigas de lado, e estão se reinventando para enfrentar estes novos tempos de concorrência exigido pelas novas tecnologias, temos aí, como exemplo o aplicativo Easy Táxi.

Com todas essas novas tecnologias, ainda permaneço acreditando que o grande vilão da mobilidade urbana é o transporte individual, e claro, a falta de políticas públicas que garanta ao menos velocidade nos deslocamentos, desejo primário da maioria compactada dentro de um ônibus. Em vez de implantação do Bus Rapid Transit (BRT), porque não pensar no Bus Rapid Service (BRS). A implantação do fácil BRS, tem seu custo de implantação bem inferior ao do BRT; devendo considerar ainda outra forte característica: seu uso, no geral, é por faixa horária, ou seja, não acarreta segregação do espaço, pois passado os horários de rush, a via volta a ser compartilhada com outros modais, ou seja, zero de impacto urbanístico.

Contudo, é preciso reinventar o transporte coletivo, o feito por ônibus. Repensar inclusive a tarifa única; facilitando ao ônibus a competição nos deslocamentos compactos, garantindo assim a sustentabilidade do negócio. Pois vive-se a era de avalanche tecnológica, obrigando quem está no mercado ser competitivo. O usuário do transporte coletivo, o “boneco”, o qual se imaginava só desejava ser transportado mudou; hoje é cidadão cliente, e face às novas tecnologias, tornou-se exigente, desejando além da simples mobilidade urbana. Ele deseja ser seduzido, surpreendido. Principalmente na condição de consumidor.

 

Por Fernando Magno S. Loureiro