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Rio Doce à beira de situação de seca grave

Rio Doce à beira de situação de seca grave

Rio Doce vive sua pior seca dos últimos anos

Por Helder Paulo Carnielli*

Pouca cobertura florestal e má proteção do solo provocam essa calamidade que atinge a sociedade

Quase 90% do território capixaba está desnudo. Além de recuperar a cobertura florestal, em áreas de proteção permanente, é necessário melhorar a proteção do solo, com restos de culturas e adubação orgânica, construir caixas-secas e adotar outras medidas de conservação de solo, de baixo custo, para aumentar a capacidade de retenção de água, visando a alimentar o lençol freático.

Acreditamos que neste momento é fundamental fazer um levantamento da real situação dos lençóis freáticos, para determinar as medidas protecionistas a serem adotadas em cada bacia hidrográfica. Recuperar a capacidade de retenção de água no solo é mais do que plantar árvores ao longo de córregos e rios. É preciso investir em práticas vegetativas, de adubação orgânica e construção de caixas-secas, além de manejo adequado das áreas plantadas.

O elevado consumo de água na agricultura, na dessedentação de animais, no uso industrial e doméstico sobrecarrega nossos mananciais, o que requer fortes investimentos em infraestrutura hídrica de captação e distribuição de água. Barragens são fundamentais para isso, inclusive para regularização da vazão dos córregos e rios, ao longo do ano.

Outro fator importante é o uso eficiente da irrigação. De toda água usada, apenas 10% é retido pela planta, sendo os outros 90% são percolados, infiltrados, evapotranspirados ou escorridos superficialmente para os leitos dos rios e córregos.

O Estado do Espírito Santo está em situação de emergência contínua. O que era ocasional passou a ser frequente. Muitos de nossos Agrônomos já previam isso desde os anos 60, quando foram realizados os primeiros estudos sobre o zoneamento agrícola.

A culpa dessa calamidade hídrica que atinge o Estado não pode ser apenas do produtor. Dividir o ônus com a sociedade e especialmente com os governos não é favor para os produtores. Os erros das políticas públicas, do passado e do presente, explicam o alto custo atual da escassez hídrica que toda a sociedade está pagando. Uma pena.

* Engenheiro agrônomo e presidente do Crea-ES

Fonte: A Gazeta 19/10/2015