

O sistema de transporte aquaviário voltou ao centro das discussões da Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Espírito Santo (Ceturb/ES). Em reunião do Conselho de Administração realizada em 18 de junho, na sede da empresa em Vitória, técnicos e conselheiros avaliaram o impacto financeiro e os entraves operacionais que comprometem a sustentabilidade do serviço.
Segundo Mauro Ribeiro, vice-presidente do Sindipúblicos, o modal aquaviário vem registrando perdas recorrentes e gerando despesas que afetam a saúde financeira da Ceturb como um todo. Os dados apresentados durante a reunião revelam que, somente em maio de 2025, o sistema acumulou um déficit de R$ 2,3 milhões. A receita prevista era de R$ 1,8 milhão, enquanto os custos superaram os R$ 4 milhões — incluindo despesas com manutenção estrutural nos pontos de embarque e desembarque. Em abril, o contrato emergencial para manutenção representou mais R$ 2,1 milhões em gastos extras, comprometendo as reservas financeiras da companhia e projetando um resultado negativo para o ano de 2025.
Além da delicada situação orçamentária, uma auditoria interna na Ceturb apontou falhas estruturais e administrativas que prejudicam o gerenciamento de todo sistema. Entre os principais problemas estão normas técnicas defasadas, dificuldade na apuração da taxa de gerenciamento, inadimplência elevada — com 6,2% da arrecadação em aberto — e baixa capacidade de enfrentamento ao transporte clandestino.
A gerência da Ceturb apresentou medidas para tentar reverter o cenário, como o desenvolvimento de softwares para boletins de informação e emissão automatizada de multas, reestruturação dos procedimentos internos e ampliação da fiscalização nas cidades atendidas. No entanto, o histórico de contratos vencidos desde 2014 e a ausência de licitação vigente dificultam avanços mais consistentes.
Diante do quadro, os conselheiros recomendaram a elaboração de um plano de ação com metas claras, prazos definidos e responsáveis designados para acompanhar a implementação das recomendações da auditoria. A preocupação se intensifica com a previsão de expansão do sistema, incluindo novas estações, o que pode agravar ainda mais os custos operacionais.
“Nós não somos contra o sistema aquaviário, mas é preciso rever seu propósito. Hoje ele atende, em grande parte, a um público de lazer e turismo, e não ao transporte cotidiano. As estações e rotas devem ser repensadas para atender regiões com demanda reprimida. Não podemos onerar todo o sistema público por um modal deficitário”, alertou Mauro Ribeiro.
O vice-presidente também criticou a falta de diálogo entre o governo e os técnicos da Ceturb na concepção do projeto. “O que estamos enfrentando agora já havia sido previsto por nós. Fomos ignorados no planejamento feito pela SEMOBI. Precisamos corrigir essas falhas e fazer do aquaviário uma solução eficiente, e não um problema”, concluiu.
Tem um artigo interessante ou um texto que gostaria de compartilhar com os companheiros? Ou talvez queira sugerir uma pauta? Envie um e-mail para jornalista@sindipublicos.com.br. Vamos juntos construir um Sindicato cada vez mais forte e atuante! Participe e faça a diferença!
Quem faz o Sindicato somos nós!
E quem representa você é o Sindipúblicos! Filie-se!
Texto Douglas Dantas Foto: Ceturb