

O Diário Oficial do Espírito Santo (DIO), fundado em 1890 durante o governo de Affonso Cláudio e incentivado por Muniz Freire, se vê, mais uma vez, deslocado de sua história.
Sua sede histórica, localizada na Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes, em Bento Ferreira, foi inaugurada na década de 1970, especialmente para abrigar a autarquia, e homenageia o jornalista Orlando Bonfim, desaparecido durante a Ditadura Militar. Além de sua importância histórica, o local guarda objetos da era da impressão e painéis de azulejos da artista plástica Marian Rabello, que retratam o trabalho da imprensa oficial na época.
Com a digitalização do Diário Oficial e o fim da impressão em papel, o parque gráfico do DIO foi desativado. Apesar do governo estadual utilizar gráficas privadas para impressões diversas, ignorando a estrutura existente que poderia ser utilizada. Em 2020, os servidores foram transferidos para salas alugadas na Reta da Penha, abandonando a sede histórica.
Na época, a promessa era que o prédio do DIO seria usado para um projeto de integração das forças de segurança estaduais, com a instalação do Centro Integrado de Operações de Defesa Social (CIODES) no local. Contudo, quatro anos depois, o projeto não avançou e surgem especulações de que a Companhia Estadual de Transportes Urbanos (Ceturb) ocupará o espaço.
Agora, a informação divulgada durante a comemoração dos 134 anos do DIO é que a imprensa oficial será transferida para um edifício anteriormente ocupado pelo IBAMA, cedido pelo governo federal ao Estado. O prédio, que está em condições precárias, precisará de uma reforma milionária, que seria custeada pelo DIO.
Servidores do Diário Oficial expressam indignação com o desprezo da Secretaria de Gestão e Recursos Humanos (Seger), responsável pela administração das sedes dos órgãos públicos estaduais, e com o desperdício de dinheiro público. Eles também estão preocupados com a preservação dos painéis de azulejos e outros patrimônios históricos do prédio. Relatos apontam que um dos painéis já foi danificado, com furo nos azulejos. “Além de nos tirarem da nossa sede, ainda estão destruindo nossa história”, desabafa um servidor.
Os profissionais não se opõem à ocupação do prédio por outras autarquias, mas defendem haver espaço para o retorno do DIO ao edifício, compartilhando-o com outra instituição. Dessa forma, seria possível preservar a memória e garantir o uso do prédio conforme planejado desde sua construção.
Seger
Buscamos a Seger para se manifestar sobre o caso, mas até a publicação da reportagem não havia retorno. O espaço segue aberto e a reportagem será atualizada em caso de manifestação da Seger.