


Em todo o país estudantes tem ocupado escolas, universidades e institutos federais protestando contra a agenda de arrocho que vem sendo implantada pelo governo Temer. Aqui no Espírito Santo, na última terça-feira, 11 de outubro, cerca de 80 alunos ocuparam o campus do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia (Ifes) de São Mateus, no norte do Estado.
Eles se juntam aos servidores e demais trabalhadores que tem ido às ruas protestar contra pautas conservadores do governo Michel Temer (PMDB), como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, a PEC do Teto dos Gastos, a medida provisória de reforma do ensino médio e o projeto Escola Sem Partido.
Devido a ocupação, todas as aulas no local estão suspensas sendo substituídas por uma programação alternativa organizada pelos próprios estudantes, como aulões preparatórios para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Também estão sendo organizadas rodas de debate sobre questões atuais, como a partilha do petróleo em áreas de pré-sal.
“Existe um movimento nacional contra essas questões e resolvemos colocar o Espírito Santo no mapa das ocupações”, diz o secundarista Luiz Philipe Machado, da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Mateus. Os estudantes iniciaram a ocupação do local por volta das 18h de terça. Desde então, as aulas na instituição estão suspensas.
Os estudantes condenam o congelamento de investimentos previstos pela PEC 241, sobretudo em saúde e educação, criticam a falta de diálogo para mudar o ensino médio – “A reformulação do ensino médio não pode ser por medida provisória”, diz o estudante – e condenam, igualmente, a Escola Sem Partido por “não permitir o pensamento crítico”.
Por enquanto, a ocupação segue com tranquilidade sem nenhuma ameaça por forças de segurança do Estado, nem retaliações por parte da instituição, como por exemplo, cortar água ou energia. O funcionamento do prédio segue em condições normais. O movimento está recebendo doações de alimentos de sindicatos de trabalhadores do norte capixaba.
Nota-se uma grande insatisfação geral contra as medidas que trazem graves prejuízos à população, inclusive já demonstrada em pesquisas. Porém, é preciso que a sociedade se mobilize, como os estudantes, realizando e ou participando de atos para garantir a permanência dos direitos conquistados e que as reformas venham efetivamente contribuir para o crescimento do país, sem prejuízos à população.
O Sindipúblicos se solidariza com os estudantes e acredita que apenas com a união dos servidores, estudantes e demais trabalhadores é possível garantir a manutenção dos direitos historicamente conquistados.
Com informações do Século Diário