

A vitória da atriz Fernanda Torres no Globo de Ouro representa um triunfo não apenas para ela, mas para todos nós que prezamos pela democracia. O filme “Ainda Estou Aqui” narra a história de Eunice Paiva, que dedicou sua vida à busca pela verdade e memória de seu marido, o deputado Rubens Paiva, cassado e morto pela ditadura militar.
Qual a importância de revisitar essa história para o sindicalismo e os servidores públicos?
A defesa da democracia, ainda que imperfeita, é imprescindível. Apenas em um regime democrático é possível garantir direitos, realizar negociações e sustentar lutas sindicais. A história mostra que regimes autoritários não oferecem espaço para diálogo ou negociação.
Durante o golpe militar e nos anos subsequentes, muitos sindicatos foram invadidos, sofreram intervenções arbitrárias e seus dirigentes foram cassados, presos e perseguidos. Os patrimônios físicos e documentais das entidades sindicais foram destruídos. No caso dos servidores públicos, sequer era permitido ter sindicatos para lutar por seus direitos. Era necessário aceitar tudo o que o governo impunha; quem ousasse questionar poderia ser perseguido, preso ou até morto.
O filme retrata a trajetória da família de Rubens Paiva, deputado federal pelo PTB, cassado após o golpe de 1964 e desaparecido (posteriormente reconhecido como morto) enquanto estava sob custódia dos órgãos de repressão em 1971. Desde então, sua esposa Eunice lutou pela busca de respostas sobre o destino de Rubens e pela memória dos perseguidos pelo regime, tornando-se um símbolo das campanhas pela abertura de arquivos sobre as vítimas da ditadura militar.
A luta pela abertura dos arquivos oficiais é crucial para que a sociedade tenha pleno conhecimento dessas violações e para honrar a memória das vítimas. É essencial saber o que realmente aconteceu com os mortos e perseguidos, e quem foram os responsáveis por esses crimes.
A Lei da Anistia no Brasil (Lei nº 6.683/1979), promulgada durante o governo do general João Baptista Figueiredo, teve como objetivo conceder anistia a crimes de natureza política cometidos entre 1961 e 1979. No entanto, o filme faz um alerta importante: para quem foi essa anistia? Para os agentes de Estado que torturaram e mataram? Infelizmente, muitos no Brasil ainda defendem a ditadura.
Nos últimos anos, enfrentamos uma preocupante disputa ideológica, impulsionada por grandes investimentos da extrema direita em narrativas mentirosas. Milícias organizadas e patrocinadas por empresas e grandes grupos corporativos ameaçam o estado democrático de direito. A disseminação de desinformação e narrativas falsas é um desafio real para as democracias em todo o mundo. No Brasil, esse fenômeno ganhou força com a hiperconexão das redes sociais, facilitando a produção e compartilhamento de conteúdo sem checagem de fatos.
Tais estratégias podem influenciar o debate público, fragilizar a confiança nas instituições e ameaçar a estabilidade democrática. As consequências incluem polarização social e atos antidemocráticos graves.
Por isso, a vitória de Fernanda Torres é uma conquista para o nosso cinema, cultura e artistas, como Selton Mello, o diretor Walter Salles e Marcelo Rubens Paiva, autor do livro que deu origem ao filme e filho do ex-deputado morto pela ditadura. O Brasil comemora este prêmio e faz dessa alegria um alerta de resistência para nunca mais permitir que esse período sombrio retorne ao país.
Espero que essa versão esteja melhor. Se precisar de mais alguma coisa, estarei à disposição!
Com informações do artigo de Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.
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