
Por Tadeu Guerzet, presidente do Sindipúblicos
A Terceira Ponte é uma concessão pública. Ou seja, o Estado gastou para construir e depois concedeu para um grupo empresarial colocar um pedágio, usufruir da receita gerada por nós, usuários, e devolver uma pequena parcela em impostos.
No contrato de concessão está previsto uma série de obras (o Canal Bigossi, alças de subida e descida, túneis para travessias de animais na região do parque Paulo César Vinha, passarelas entre outras), muitas dessas a RODOSOL não realizou e utilizou as mais diferentes justificativas tendo a complacência do poder público: executivo, legislativo e judiciário capixabas.
Pior, além de não realizar as obras previstas, parte dessas foi realizada pelo governo estadual com dinheiro público para continuar beneficiando um grupo empresarial, como ocorreu com o viaduto das alças da ponte em Vila Velha.
O legislativo chegou a fingir que não concordava com tantos fatos alheios ao interesse público, criando uma CPI da Rodosol, mas que acabou em pizza sem nenhuma resolutividade em prática.
Enquanto isso, nós, capixabas continuamos pagando um dos pedágios mais caros por km do país. Agora, ainda em pandemia, o governo estadual começa a anunciar o início das obras de ampliação da Terceira Ponte. Aí você pensa, interessante! A Rodosol vai ampliar a ponte já que pagamos para usá-la. Não! Quem vai pagar a obra será o Estado. Isso mesmo, o contribuinte irá pagar para fazer e tudo indica que depois para usar do que ele mesmo pagou para fazer e ainda terá de desembolsar um pedágio mais caro.
O custo? Segundo estimativas na ordem de R$127 milhões. Devemos trazer à tona que recentemente foi aprovada, à mando do Governo Guedes/Bolsonaro, uma PEC que congela o salário dos servidores públicos todas as vezes em que, seja em seu estado ou município, as despesas públicas alcançarem um patamar de 95% das receitas.
Hoje, no ES, baseando nossas receitas em 2020 (o que foi realizado) com o que o governo pretende gastar no orçamento de 2021, nossa “balança” chega a 96%.
E o que a ponte tem a ver com isso? A ponte é administrada por uma empresa privada. O Estado vai contratar outra empresa privada para fazer a obra. Nós estamos na berlinda, com a corda no pescoço.
Perdemos mais de 30% de nosso salário com Casagrande, Paulo Hartung e as leis que Bolsonaro ajudou a aprovar (entre elas, a PEC do Teto dos Gastos, o congelamento salarial de 2020 mediante auxílio aos estados para combate ao Covid-19 e, agora, essa nova PEC).
Nossa sobra orçamentaria foi de R$600 milhões de reais, isso nos deixa 1% acima do limite da PEC para termos direito a reivindicar um reajuste.Os R$ 127 milhões em gastos públicos representariam então cerca de 0,7% do nosso orçamento, ou seja, se hoje estamos em 96%, essa economia poderia nos colocar nos 95%.
A maior parte dos servidores (municipais e federais) ganham abaixo de R$ 2.500. Não temos plano de saúde, nem auxílio-creche, nem vale-transporte. Praticamente pagamos para trabalhar! Estamos enfrentando dificuldades para nos alimentar. Andar de ônibus já virou artigo de luxo. Casa própria nem é sonho, sonho é conseguir pagar aluguel, caso o gás acabe este mês.
O ajuste de contas públicas virou para nós, saber se conseguiremos comprar um sapato novo para ir trabalhar ano que vem ou se teremos que continuar usando o sapato furado, se vamos precisar continuar vendendo Avon, brigadeiro, empada, torta, palha italiana etc para conseguir pagar a conta de luz.
A valorização do servidor se torna fundamental. Mas para isso, precisamos deixar de escolher falsos profetas e eleger candidatos que sempre atuaram a favor dos serviços públicos.