No próximo dia 1º de maio acontece a 14ª Marcha dos Trabalhadores Pela Vida e Cidadania, organizada pelas pastorais operárias, pastorais sociais e sindicatos. A mobilização será no Bairro Piranema (saindo da Quadra Popular e Academia), em Cariacica, a partir das 08 horas. As entidades sindicais disponibilizarão ônibus para transporte até o local, saindo às 7h da Praça Costa Pereira, da Ufes (Vitória) e da Praça Duque de Caxias (Vila Velha).
A Marcha traz o lema “Não vamos pagar a conta!” e resgata o significado histórico da luta do Primeiro de Maio, ocupando as ruas para denunciar o abandono do povo pelos governos federal e estadual.
O que os trabalhadores têm a comemorar?
Segundo dados do Dieese, a taxa de desemprego no Brasil subiu de 10 para 10,4%, entre janeiro e fevereiro de 2013, com uma redução de 174 mil postos de trabalho. Entre os que continuam trabalhando, as condições também não são muito favoráveis: 65% dos trabalhadores com carteira assinada recebem, em média, até um salário mínimo e meio.
Além da baixa remuneração, os trabalhadores brasileiros convivem com diversos outros problemas, como dificuldade de acesso à saúde, educação, alto preço do transporte, violência urbana etc. E de acordo com a previsão orçamentária de 2013, a preocupação do governo federal passa longe das demandas sociais.
De um total de R$ 2,14 trilhões, o Orçamento Geral da União (OGU) de 2013 prevê nada menos que 42% — R$ 900 bilhões — para o pagamento da dívida pública brasileira, valor dez vezes maior que o previsto para a saúde; 12 vezes o previsto para a educação e 162 vezes o previsto para a Reforma Agrária.
Os dados deixam claro que as prioridades de governo estão distantes das áreas sociais. Enquanto grande parte da população brasileira amarga o desemprego e a superexploração, quase metade do orçamento público é destinado para o pagamento de juros e amortizações da dívida, que enchem os bolsos dos banqueiros.
No Espírito Santo, a situação não é diferente. A população capixaba carece dos mais básicos serviços, enquanto a prioridade do governo Casagrade, à exemplo do “reinado” de Paulo Hartung, continua sendo os grandes projetos que usam a bandeira do desenvolvimento do Estado para financiar, com recursos públicos, gigantescas obras de infraestrutura em benefício apenas do setor privado. Até quando vamos pagar com suor a farra de uns poucos?
Servidores Públicos sofrem com precarização
É o servidor público que garante a execução dos principais serviços de atendimento à população capixaba, mas é difícil prestar um serviço de qualidade sem as condições necessárias e sem valorização.
A relação do Governo Casagrande com o funcionalismo público estadual mostra que pouco mudou desde a era Paulo Hartung. O número de trabalhadores contratados na administração pública sob regime de Designação Temporária (DT) é cada dia maior, precarizando o trabalho no setor público e prejudicando a qualidade dos serviços prestados à população capixaba. Os DT’s, que deveriam existir apenas para suprir demandas emergenciais, acabam substituindo as contrações efetivas e são sinônimo, muitas vezes, de alta rotatividade e inexistência de vínculo com a instituição.
Além disso, cargos de funções comissionadas servem frequentemente como cabides de emprego para arranjos políticos, comprometendo a supremacia do interesse público. Enquanto isso, as críticas sobre os problemas do serviço púbico recaem quase que exclusivamente sobre seu funcionalismo, que precisa lidar diariamente com a falta de estrutura e condições de trabalho adequadas para o cumprimento das atividades.
O governo do Estado precisa assumir uma postura comprometida com o interesse do povo, garantindo a contratação efetiva de funcionários por meio de concursos públicos legalmente constituídos. “Não podemos continuar aceitando uma máquina pública inflada por DT’s e cargos comissionados criados a partir de uma promíscua relação entre o poder executivo e legislativo para o atendimento de interesses pessoais e partidários. Estamos lutando pela dignidade do servidor público, com a efetiva valorização e adequadas condições de trabalho” comenta Gerson Correia de Jesus, presidente do Sindipúblicos.
Origem do 1º de Maio
O Dia do Trabalhador foi instituído pela Segunda Internacional Socialista que aconteceu na França em 1889. O objetivo era estabelecer um dia unificado de luta em prol da jornada e 8 horas de trabalho.
A escolha da data remonta à 1886, quando, no dia 1º de maio, milhares de trabalhadores de Chicago, nos Estados Unidos, saíram às ruas para reivindicar melhores condições de trabalho e a redução da jornada de treze para oito horas diárias. Nesse dia, uma grande greve geral parou as atividades do país norte americano.
A manifestação foi seguida de outros protestos, que foram violentamente reprimidos pelas forças policiais. O 1º de maio se tornou um marco para a luta dos trabalhadores de todo o mundo, que anualmente se reúnem nessa data para defender os direitos trabalhistas conquistados, reivindicar melhores condições de trabalho e lutar pelo fim da desigualdade social.
Apesar de já conquistada e garantida legalmente, a jornada de 8 horas continua na pauta de reivindicação dos trabalhadores, que lutam pela redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.
O 1º de maio é marcado também pela conquista do salário mínimo no Brasil, regulamentado em 1936. A proposta era que esse valor suprisse as necessidades básicas de um trabalhador brasileiro. Segundo o Diesse, para que essas necessidades fossem supridas hoje, o mínimo deveria ser de R$ 2.824, valor muito distante dos míseros R$ 678 atuais.
