1 ano do Massacre de Aracruz | Ato em memória das vítimas cobra justiça e reparação

Servidores pedem a saída de Marcelo Calmon da Seger
22 de novembro de 2023
Novembro Negro | Sexta é dia de Roda de Samba, Cineclube e Jornada Antirracista
23 de novembro de 2023

Atentado vitimou uma aluna e duas professoras e deixou marcas em toda comunidade escolar.

Há um ano, na manhã do dia 25 de novembro, o que seria mais um dia letivo na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Primo Bitti e no Centro Educacional Praia de Coqueiral, em Aracruz, se transformou em momentos de terror e pânico.

Um ex-aluno, filho de um policial militar, invadiu as escolas atirando e causando a morte de três pessoas e ferindo outras treze usando uma pistola .40 — que pertence ao Estado e era usada pelo policial para trabalhar — e um revólver particular, de propriedade do pai do criminoso.

Um ano depois, no dia 25, sábado, às 7h30, em frente à UMEF Primo Bitti, em Aracruz, familiares, estudantes e profissionais da educação irão realizar uma vigília e logo após seguirão em Marcha por Justiça, Memória e Reparação! O ato é uma realização do Fórum Antifascista, do Fórum de Mulheres do Espírito Santo (Fomes) e do Coletivo de Mulheres Dona Astrogilda.

Em Vitória, um ato está programado para acontecer nas escadarias do Palácio Anchieta. 

“As respostas do estado ferem a memória das famílias e não promovem de fato justiça e reparação. Estaremos em ato para pressionar o Governo Casagrande por respostas sobre as investigações do ataque e cobrar medidas e políticas que atendam as demandas das famílias, estudantes e profissionais da educação!” cobram amigos e familiares. 

O Sindipúblicos vem prestar sua solidariedade aos amigos, familiares e toda comunidade escolar diretamente atingida nesse trágico episódio e reforçar a cobrança ao Estado por políticas públicas que promovam a segurança nas escolas, garantindo a integridade de alunos e profissionais da educação. 

Nossa diretora Emmanuelle de Oliveira, agente de suporte educacional, representa o Sindipúblicos no Comitê de Segurança da Sedu, colegiado que discute o tema nas escolas para evitar que episódios de violência se repitam. “Essa questão é muito complexa e demanda um amplo estudo e planejamento”, comenta a diretora. 

Além disso, o Sindicato está presente nas escolas por meio de seus delegados sindicais representando e defendendo os profissionais da educação sindicalizados da base do Sindipúblicos. 

O crime

O filho do policial militar primeiro atacou a EEEFM Primo Bitti, onde havia estudado até junho de 2022. Após arrombar o cadeado, ele invadiu a escola e acessou a sala dos professores, vitimando fatalmente as professoras Maria da Penha Banhos, Cybelle Bezerra e Flávia Amboss. Outras três professoras baleadas sobreviveram, mas ficaram com sequelas. Depois, o adolescente seguiu para o Centro Educacional Praia de Coqueiral (CEPC), escola da rede privada de ensino, onde matou a estudante Selena Sagrillo. Mais dois alunos foram baleados, mas conseguiram sobreviver.

Em dezembro de 2022, o juiz Felipe Leitão, da Vara da Infância e Juventude de Aracruz, aplicou a medida socioeducativa de internação pelo prazo de até três anos. Foi aplicada, ainda, uma medida protetiva de acompanhamento psiquiátrico durante o período de cumprimento da medida de internação.

O pai do adolescente também é investigado pela Polícia Civil (PC), sobre suas possíveis contribuições com o crime e quais as relações do adolescente de 16 anos com células nazistas e fascistas. Uma das perguntas que precisam ser respondidas é se o pai ensinou o filho a dirigir e atirar, além de se o filho tinha fácil acesso às armas e ao carro da família. A Corregedoria da PM instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) contra o tenente, afastado das atividades operacionais e permanece nas administrativas durante o processo.

Além da condenação dos pais e do adolescente, também se cobra indenização às vítimas e familiares. Segundo relatos, o governo tem oferecido indenizações consideradas insuficientes para reparar a violência sofrida que variam de R$ 3 mil à R$70 mil. 

Live

Com o tema “1 ano do massacre em Aracruz: Fascismo, Mapa do Ódio e Violência Contra as Mulheres”, uma live será transmitida pela Adufes em seu canal no YouTube na próxima segunda-feira (27). O debate é organizado pela Adufes, pelo Fomes e pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Populações Pesqueiras e Desenvolvimento (Geppedes).

Com informações do Século Diário.