US$73 bilhões. Superávit comercial recorde amplia margem de valorização dos servidores

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Segundo a CNI, o saldo positivo do superávit garantirá 3,3% de crescimento do PIB.

Depois de alguns anos de recessão, em que os governos usavam os índices econômicos para negar direitos aos servidores, este ano o cenário mudou, com indicadores positivos, tanto no Estado quanto nacionalmente. 

Em recente publicação, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou que o Brasil deve ter um superávit comercial positivo recorde de US$ 73,7 bilhões.

E o Espírito Santo é um dos estados diretamente ligados a esse cenário, com alto volume de carga movimentada em seus portos. Só pelo porto de Vila Velha, por exemplo,  apenas em 2023, já foi importado US$1 bilhão em valor comercial com os novos carros elétricos. 

Volume esse que tem reflexo na geração de emprego, renda e arrecadação de impostos, fazendo assim com que o governo estadual tenha margem ainda maior na valorização dos servidores públicos com as demandas encaminhadas por este Sindipúblicos como reajuste das diárias, reestruturação das carreiras dos servidores em extinção na vacância,  dentre outros.

Dados

Uma das mais recentes divulgações do mercado econômico, o Informe Conjuntural do 3º trimestre, divulgado, nesta quarta-feira (11), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), projeta que o país deve registrar neste ano o seu maior superávit comercial da história. A previsão é de que as exportações cheguem a US$ 331 bilhões, e as importações, a US$ 257,3 bilhões, totalizando um saldo positivo de US$ 73,7 bilhões.

Segundo a CNI, o comércio exterior brasileiro vem apresentando uma dinâmica favorável, que contribuirá positivamente para o crescimento do PIB em 2023.

A CNI registra ainda que a ampliação do volume exportado (+8,9%) tem desempenhado um papel fundamental para sustentar esse cenário positivo, em especial as quantidades embarcadas de soja, milho, petróleo e minério de ferro. Esse último, em grande volume pelos portos do Espírito Santo. Em sentido oposto, os preços das exportações vêm registrando uma diminuição de 8,0%, na comparação de janeiro a setembro de 2023 com o mesmo período de 2022.

Segundo a entidade, apesar das exportações encontrarem-se em patamar elevado pelo segundo ano consecutivo, os valores exportados em 2022 foram impulsionados pelos preços internacionais de commodities elevados, enquanto, em 2023, os valores exportados têm sido puxados pelos aumentos nos volumes embarcados.

“Com a estabilidade das exportações em patamar elevado e a queda das importações, houve aumento de 50,3% do superávit da balança comercial, que alcançou US$ 71,3 bilhões no período de janeiro a setembro de 2023, contra o mesmo período de 2022”, detalha o informe.

PIB acima das expectativas

O informe da CNI destaca também que o PIB brasileiro “cresce mais que o previsto”, com uma expectativa de expansão de 3,3% neste ano.

Para a CNI, o bom desempenho da economia ocorre apesar da “política monetária restritiva” praticada pelo Banco Central, presidido pelo bolsonarista Roberto Campos Neto, que insiste em manter a taxa básica de juros (Selic) em patamares extorsivos – atualmente em 12,75% ao ano. 

Segundo a CNI, esse desempenho heterogêneo na economia se deve a diversos fatores. “Por um lado, há os efeitos da política monetária restritiva, com as taxas de juros elevadas afetando setores mais sensíveis ao crédito. Por outro lado, há forte expansão fiscal em 2023, um mercado de trabalho que segue em expansão e o crescimento dos setores primários (agropecuária e extrativa mineral)”, afirma a entidade.

Renda das famílias

 

O estudo avalia também que o aumento do gasto público e programas sociais como o Bolsa Família têm ajudado a sustentar setores mais sensíveis à renda, como os serviços prestados às famílias e o volume de vendas em supermercados. 

Outro destaque é para o mercado de trabalho, que segue aquecido. Segundo a CNI, “esse desempenho ajuda a sustentar o consumo de atividades sensíveis à renda das famílias. Esperamos que a massa de rendimento real cresça 6,3% em 2023, ante 2022, permitindo a sustentação do consumo, sobretudo das atividades mais sensíveis à renda das famílias”.

Inflação

O informe da CNI traz ainda as projeções para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A expectativa é que o IPCA feche o ano em 4,9%. Bem abaixo dos anos do Governo Bolsonaro, quando a inflação alcançou 10,06% em 2021.

A avaliação é de que “o cenário seguirá com desaceleração da inflação corrente e expectativas de inflação próximas da meta, sinalizando um processo de convergência em 2024 e, sobretudo, em 2025”.

Já para a taxa Selic, a expectativa da CNI é de que ela encerre 2023 em 11,75% ao ano, contra o índice atual de 12,75%. A entidade espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) faça mais dois cortes de 0,5 ponto porcentual nas próximas reuniões que restam em 2023, levando a taxa básica de juros para 11,75% ao ano.

Com informações do Banco Central, CNI e PMVV.