

Para o governador Hartung, a culpa da criminalidade do Espírito Santo é da população. E para isso, está lançando o que promete reduzir os índices de homicídios no Estado. Para quem imagina que será um plano de segurança com aumento nos equipamentos e de pessoal ligado à área, está enganado. Para o governador, basta a sociedade dar o exemplo e postar na internet com a ‘simpática’ hastag #compartilheObem que tudo estará resolvido.
O discurso de criminalização da sociedade não é novo. O secretário André Garcia apenas está repetindo a visão do seu antecessor, Rodney Miranda, que chegou a ser exonerado por ter grampeado “sem querer” jornalistas e se envolvido nas “masmorras de Hartung”, mas que voltou para o Espírito Santo devido aos estreitos laços políticos que mantém com o governador.
Apesar de os índices de homicídios na sociedade em geral terem reduzido nos últimos anos – o mesmo não se vivencia entre jovens, principalmente entre os negros e mulheres – outras modalidades de crimes que continuam com os índices em aumento e sem recursos humanos e materiais para a investigação.
Mais uma vez o Estado ignora a necessidade de investimentos em segurança pública – como o aumento no número de policiais civis, que investigam os crimes, de recursos materiais e aparelhamento das polícias – em um Estado em que 40% dos homicídios acontecem por motivos banais.
Enquanto gasta mais alguns milhares de reais divulgando a campanha #CompartilheObem agraciando o grande empresariado capixaba de mídia, Hartung corta verba das polícias civis e militar reduzindo combustível entre outros insumos essenciais para o trabalho de redução da criminalidade.
Segundo informações divulgadas pelo Sindicato dos Policiais Civis, caso o governo insista em não investir na área, o Estado pode enfrentar um colapso na investigação de crimes, já que faltam policiais e recursos materiais na instituição.
Mesmo com a impossibilidade de garantir atendimento satisfatório à população, o governo sequer tem previsão de realizar concurso público para a recomposição do quadro da Polícia Civil. O resultado disso são policiais adoecidos, trabalhando em desvio de função e sobrecarregados.
Com informações do Século Diário.