

Um dos dilemas de vários pais, em especial as mães, está sendo com quem deixar as crianças em idade escolar durante o seu expediente de trabalho.
Uma servidora do Incaper, que preferiu não se identificar, comentou que sem ter com quem deixar sua filha de seis anos, está tendo que levá-la para o trabalho. “Não tenho condições de pagar babá, o que eu acredito, independente de dinheiro, não é a hora ainda de colocar alguém dentro de minha casa que primeiro eu não conheço e segundo que não sei por onde essa pessoa anda, se pode ou não trazer o vírus pra dentro da minha casa, ou ela levar pra casa dela. Portanto, tenho que levar a minha filha para o meu trabalho, infelizmente. Em meu trabalho, tenho tentado ficar sozinha na sala com ela, mas estamos sem faxina, então o chão, os móveis e os banheiros ficam bem sujos. Temos que “dar um jeitinho” para limparmos pelo menos um pouco o nosso espaço. Mas não é a situação mais adequada”.
Situação semelhante vive uma outra servidora da AGERH, que mesmo com filho de 2 anos, não foi liberada pela chefia para trabalho remoto. “Tenho um filho de 2 anos, matriculados por tempo integral em escola de ensino infantil. A maior parte do meu serviço é analisar resultados de amostras ambientais dos rios do estado do espírito santo e até a presente data, as coletas de amostras não estão sendo realizadas porque as viagens para outros municípios estão suspensas e as outras demandas estou atendendo trabalhando em casa e cuidando do meu filho, pois meus parentes não são da Grande Vitória”.
Cabe salientar que a falta de orientação e regras claras por parte do Governo do Estado, configura atentado à legislação federal, no caso o Estatuto da Criança e do Adolescente ao negligenciar o amparo à essas. Dentre vários artigos que estariam sendo descumpridos pelo Estado, ao desampará-las está o Art. 7º “A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência”. No momento em que o governo estadual não garante sequer condições efetivas das crianças e adolescentes estarem em ambiente seguro enquanto seus pais trabalham, há uma infração grave.
Diante aos fatos, o Sindipúblicos tomará as medidas cabíveis para resguardar os direitos de todos os servidores e seus filhos e orienta para que demais pais/mães que estejam passando por situação semelhante busquem a devida orientação jurídica da entidade.