

O Espírito Santo encerrou 2024 com um superávit histórico. A receita líquida alcançou R$ 29,2 bilhões, com arrecadação de ICMS ultrapassando R$ 20,7 bilhões. Apesar desse cenário econômico positivo, os servidores públicos estaduais enfrentam anos de desvalorização e negligência, evidenciando uma contradição que promete marcar 2025 como um ano de intensas mobilizações.
Enquanto o governo celebra os números recordes, o investimento na folha de pagamento permanece em torno de apenas 35,9% da receita corrente líquida, muito abaixo do limite prudencial de 46,55% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Esse dado reforça o Espírito Santo como o estado que menos destina recursos ao funcionalismo público, gerando indignação e desânimo entre os trabalhadores.
Desabafo dos servidores
Para Marcelo Duarte, servidor aposentado do Idaf, o cenário é de descrença: “Pra falar a verdade, não tenho nenhuma expectativa. O Senhor Governador trata os servidores com mão de ferro, não avança nas discussões. Com os empresários, se deleita; com os servidores, só migalhas. Nem o mínimo, que seria a reposição da inflação, ele faz. Mais uma vez, lamentável.”
Já Fabrício Pereira, Agente de Suporte Educacional, lamenta a estagnação dos benefícios: “Lutamos muito para conquistar o auxílio-alimentação, mas ele permanece congelado em R$ 600. O dinheiro do servidor não rende pra quase nada. Infelizmente, não tenho muitas esperanças de que isso mude.”
Ronildo dos Santos, servidor do Incaper, encara o momento com moderação, mas não sem esperança: “Creio no bom senso do governador. Esse superávit é fruto do nosso trabalho. O Espírito Santo é o estado que menos investe no serviço público, mas oferecemos serviços de qualidade. Espero que 2025 traga um retorno justo para os servidores, da mesma forma que está sendo rentável para o Estado.”
Uma luta pela valorização
A presidenta do Sindipúblicos, Renata Setúbal, ressalta que a insatisfação deve impulsionar a mobilização: “Tivemos algumas conquistas nos últimos anos, mas é preciso avançar. É inaceitável que continuemos sendo tratados como secundários enquanto o governo celebra arrecadações recordes. Queremos a reestruturação das carreiras, recomposição das perdas salariais e um reconhecimento que reflita a realidade econômica do Estado.”
A categoria sofre com perdas inflacionárias acumuladas superiores a 20%, além das distorções salariais causadas pelo “Carreirão”. Salários defasados e a estagnação de benefícios têm contribuído para o descontentamento e até para a evasão de profissionais para outros entes e poderes.
“O governo precisa entender que reestruturar as carreiras é um gesto de respeito e valorização. Servidores eficientes são fundamentais para a manutenção do desempenho do Estado. Não existe nota A sem servidores competentes e devidamente valorizados. Ajustar essas distorções é essencial para evitar a perda de mão de obra qualificada”, afirma André Carvalho, assessor político do Sindipúblicos.
2025: Um ano de mobilização
A Assembleia Geral Unificada (AGU), marcada para 3 de fevereiro, às 13h, na Assembleia Legislativa, será um marco inicial para o ano de lutas dos servidores. Durante a AGU, serão discutidas as prioridades da campanha salarial, com destaque para a reestruturação das carreiras e a recomposição das perdas salariais.
“Precisamos lotar as galerias e dialogar diretamente com os deputados. A aproximação com o legislativo será fundamental para garantir que nossas pautas sejam ouvidas. A união é nossa maior força. Participe!”, reforça Carvalho.
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