

O Sindipúblicos convoca os servidores públicos estaduais para o ato Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, organizado pelas centrais CUT, INTERSINDICAL, PÚBLICA, NCS, UGT e CTB. A manifestação acontece na Praça José Luiz Gobbi, Portal do Príncipe, em frente à Rodoviária de Vitória, das 8h às 13h, e reunirá entidades sindicais, movimento social organizado, estudantil, coletivos e a população de modo geral.
Neste ano o tema do 1º de Maio é “Emprego, Direitos, Renda e Democracia”. Na defesa desse lema, as centrais sindicais mobilizaram as suas bases em torno de 15 pautas prioritárias, conforme a Central Única dos Trabalhadores. São elas:
Valorização do salário mínimo
A Política de Valorização do Salário Mínimo tem impacto positivo direto no bolso do trabalhador, na economia do país, melhorando também o poder de compra dos aposentados e pensionistas da previdência social. Quando a população ganha mais, consome mais e a indústria e o campo produzem mais, gerando mais empregos.
Fim dos juros extorsivos
Juros altos só trazem dívida ao trabalhador e beneficiam os bancos. Com os juros mais baixos o endividamento das famílias diminui e com menos dívidas o brasileiro consome mais e melhor. Por sua vez, mais consumo gera mais produção e mais empregos.
Fortalecimento da Negociação Coletiva
Direito fundamental no trabalho, a negociação coletiva cria regras da relação entre trabalhadores e patrões. Sindicatos fortes resultam em acordos coletivos fortes.
Mais empregos e renda
Somente com emprego de qualidade, a renda do trabalhador melhora e o país cresce. Mais de 12 milhões de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros não têm carteira assinada, 40 milhões estão na informalidade.
Direitos para todos
A luta das Centrais é por toda a classe trabalhadora, sindicalizada ou não. Trabalho decente e empregos de qualidade para todos os brasileiros e brasileiras garantem uma sociedade mais igual e mais justa, democrática e soberana.
Convenção 156 OIT
Pela igualdade de oportunidades e tratamento para mulheres e homens trabalhadores que se desdobram entre trabalho e família. As mulheres sofrem mais com o desemprego que os homens porque acumulam mais jornadas, engravidam, cuidam dos filhos e são demitidas por isso. Por isso, essa situação precisa mudar.
Trabalho igual, salário igual
Mulheres ganham até 30% menos do que os homens na mesma função. Essa disparidade acontece mesmo quando trabalhadoras e trabalhadores têm a mesma escolaridade, mesma idade e mesma cargo.
Aposentadoria digna
As Centrais Sindicais propõem uma série de medidas para melhorar a qualidade do atendimento a aposentados e pensionistas da Previdência Social.
Valorização do servidor e da servidora público
A servidora e o servidor público estão na linha de frente de serviços indispensáveis ao povo brasileiro, respeitar esses trabalhadores e garantir condições dignas também é um ato de valorização dos serviços públicos que atendem a população.
Regulamentação do trabalho por aplicativos
Trabalhadores e trabalhadoras por aplicativos não têm nenhum direito trabalhista nem previdenciário. Vamos mudar isso. A luta das Centrais Sindicais conquistou espaço de diálogo e negociação entre trabalhadores(as), empresas e governo, para regular as relações de trabalho nas empresas que oferecem serviços de entrega e condução por aplicativos.
Em defesa das empresas públicas
Governos passados venderam empresas públicas e o povo pagou a conta. Toda vez que o Brasil cresceu foi impulsionado pelas empresas públicas e estatais. Por isso, as Centrais Sindicais são contra as privatizações, que o governo passado fez, vendendo o patrimônio público a troco de banana.
Revogação dos marcos regressivos da legislação trabalhista
A reforma trabalhista de 2017 levou ao aumento da precarização, do bico, do desemprego. Foi boas para os empregadores, mas causou um retrocesso, com mais informalidade, desemprego, precarização e terceirização do trabalhador e da trabalhadora e, portanto, menos direitos.
Fortalecimento da democracia
Derrotamos quem ameaçava nossa democracia, agora é fortalecer essa luta. Começamos a mudar essa história com a vitória de 2022, mas precisamos de mobilização e pressão popular para avançar nas pautas de interesse dos trabalhadores e trabalhadoras e defender a democracia..
Revogação do “Novo” Ensino Médio
Porque desqualifica e prejudica os alunos, esvazia e rebaixa a qualidade de ensino. A unidade entre estudantes, professores, pais e mães e trabalhadores e trabalhadoras dos vários segmentos da sociedade é essencial para derrotar essa proposta que cria uma escola sem conteúdo com prejuízos aos alunos.
Desenvolvimento sustentável com geração de empregos de qualidade
Crescer e gerar empregos, sempre respeitando o Planeta porque uma hora a conta chega. O desenvolvimento produtivo do país tem que acontecer com o fortalecimento da indústria nacional e da agricultura de forma sustentável.
Programação
O evento do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora em Vitória contará com ato político e atividades culturais, como a apresentação Coral Serenata de Favela, poesia , Samba Itinerante e lazer para crianças (pula-pula, picolé, pipoca e algodão doce). Participe e fortaleça a luta coletiva por uma sociedade mais justa.
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Histórico do 1º de maio e a luta pela redução das jornadas de trabalho
O 1º de maio marcou a história como uma data símbolo da luta dos trabalhadores. Desde o começo da industrialização até meados do século XIX, não havia nenhuma regulamentação sobre o trabalho realizado nos imensos parques industriais. A classe operária demorou algumas décadas para se organizar por meio de associações e sindicatos para se defender.
As condições de vida naquele tempo eram de grande miséria para os operários, que acumulavam jornadas de 12, 15 e até 18 horas por dia, sem direito a descanso semanal nem férias. Quando chegavam em casa, viam a si e a sua família passando toda a sorte de dificuldades, inclusive fome. Aos poucos, eles começaram a se mobilizar contra os desmandos patronais. A redução da jornada de trabalho foi a primeira reivindicação da classe. Outra exigência era não morrer de fome.
Em 28/09/1864, realizou-se em Londres o primeiro congresso da Associação Internacional dos Trabalhadores, conhecida pela sigla AIT, em que ficou decidida a luta principal a ser travada em todas as nações onde havia fábricas e oficinas, exigindo a diminuição e fixação da jornada. A organização reunia operários de diversos países industrializados da Europa e mais tarde de outras partes do mundo, que organizaram revoltas e realizaram diversas greves, alvo de muita repressão por parte da polícia a serviço dos patrões.
Nos EUA, em 1866, já havia mais de 6 milhões de trabalhadores fabris. Durante o congresso operário realizado neste ano na cidade de Baltimore, os participantes reiteraram a decisão da Internacional: luta em todas as fábricas até a conquista das 8 horas. O primeiro 1º de Maio acontece nesse mesmo ano de 1886, nos Estados Unidos, a partir de uma greve geral convocada pela Federação Americana do Trabalho pela jornada de 8 horas.
Na cidade de Chicago, um dos principais centros de protesto, os trabalhadores montaram piquetes nas fábricas que ainda não haviam aderido à greve, durante a madrugada do dia 1º para o dia 2. Neste dia, a polícia e os seguranças assassinaram sete operários em frente à marcenaria Mc Cormick Harvester e uma nova manifestação foi convocada para 4 de maio, com um grande comício que anunciava a continuação da greve até que fossem garantidas as 8 horas para todos.
No final do comício, a cavalaria tenta se aproximar do palanque. De repente, uma bomba explode, misteriosamente, no pelotão dos policiais, que começam a atirar sobre os manifestantes, deixando dezenas de mortos e centenas de feridos. O palanque é cercado e todos os oradores são presos.
Os líderes sindicais, seguidores do anarquismo, August Spies, Albert Parsons, Sam Fielden, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Schwab, Louis Lingg e Georg Engel, são julgados culpados em 9 de outubro de 1886. Parsons, Engel, Fischer e Spies são enforcados no dia 11 de novembro. Lingg se suicidou, na véspera, deixando um bilhete onde reafirmava suas convicções e informava que preferia se matar a permitir um carrasco a serviço da burguesia encostar as mãos imundas em seu corpo. Fielden e Schwab são condenados à prisão perpétua e Neeb a 15 anos de prisão. Entretanto, o governo do Estado do Illinois anula o processo inteiro dos mártires de Chicago e declara todos inocentes em 1892.
Em homenagem a bravura dos trabalhadores americanos que organizaram uma gigantesca campanha por melhores condições de trabalho e realizaram mais de 1500 greves em todo o país, a Internacional Socialista decreta que o 1º de Maio seja comemorado todo ano como Dia Internacional dos Trabalhadores, na ocasião do 2º Congresso ocorrido em Paris no anos de 1889.
Todas as conquistas da classe trabalhadora até os dias atuais são frutos de 200 anos de luta de classe, evidenciada no movimento operário simbolizado pela data do primeiro de maio. Através da luta, foram conquistadas a jornada de 8 horas, as férias, o descanso aos domingos, a previdência social, a indenização por acidente, a aposentadoria, entre outros direitos que custaram a vida de muitos trabalhadores e trabalhadoras e estão sob ameaça neste começo de século XXI.
Por isso, a celebração do Dia Internacional do Trabalhador e da Trabalhadora está ainda mais carregada de simbolismo e de responsabilidade neste ano. Participe do ato unificado neste 1º de maio em defesa dos direitos e pelo futuro da classe trabalhadora brasileira.
Fonte: CUT – CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES NOTÍCIAS
Núcleo Piratininga de Comunicação. “1 de Maio: Dia dos Trabalhadores”.
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