

O Sindipúblicos notificou a presidente da Junta Comercial, Letícia Serrão Chieppe, reforçando a carta aberta dos servidores que repudiam a atitude da dirigente durante reunião no último dia 17 de junho em que proferiu declarações preconceituosas contra os serviços públicos.
Entre as diversas falas inapropriadas, a presidente chegou a comparar a produtividade dos servidores; utilizou do discurso do medo de demissão e fechamento da autarquia; usou de termos chulos, dizendo que existem servidores “laranjas podres” dentro da Junta Comercial; e ainda destacou que na empresa de sua família, “os funcionários ganham mal, mas todo mundo é feliz”.
Diante disso, o Sindicato solicitou uma reunião para tratar sobre o assunto, bem como outros pontos demandados pela categoria como condições de trabalho.
O Sindipúblicos lamenta a atitude de Letícia Chieppe, que só serve para gerar desavenças entre a categoria, e reforça a necessidade do governo Hartung em nomear profissionais qualificados para com o serviço público, que venha agregar valores contribuindo para fortalecer as autarquias. Atitudes como essa só demonstra o despreparo para lidar com o setor público, colocando em risco todo atendimento prestado à sociedade.
Confira abaixo a carta aberta produzida pelos servidores que foi ratificada em Assembleia Geral Unificada no último dia 30 de junho.
“Manifestação dos servidores a respeito da Reunião realizada pela Presidência da JUCEES no dia 17 de junho de 2016.
A propósito da reunião convocada por essa Presidência com todos os servidores, a fim de comunicar a tramitação no Congresso Nacional de possível alteração no Código Comercial que poderia diminuir os serviços prestados pela Junta Comercial, transferindo parte dos serviços para cartórios de pessoas jurídicas.
Segundo as informações que recebemos a Vossa Senhoria fez esse comunicado para ao final pedir que os servidores da JUCEES trabalhassem como uma equipe, e assim, realizassem os serviços prestados à sociedade com maior eficiência.
Entretanto, várias falas da senhora causaram grande indignação e repúdio entre os servidores. Primeiramente, utilizar o discurso do medo não cai bem para nenhum tipo de líder, quanto menos, a um administrador público. Dizer que a sobrevivência da Junta Comercial depende da eficiência de seus servidores e alegar que caso a JUCEES acabe, fulana, cicrana e beltrana (servidoras comissionadas) vão ficar desempregadas e imputar essa responsabilidade aos servidores efetivos é, no mínimo, demonstrar conhecimento total de como funcionam as diretrizes políticas nesse país.
Vamos esclarecer que existe um projeto privatista neste país, que avança cada vez mais com governos neoliberais, portanto, não seria de se admirar que efetivamente as Juntas Comerciais, hoje autarquias públicas, tenham seus serviços repassados para a seara privada. E isso nada tem a ver com a eficiência dos serviços públicos prestados na Jucees, é um projeto político.
Voltando ao seu discurso, caso o objetivo tenha sido de unificar os servidores, o resultado obtido foi certamente o oposto. A divisão que foi feita entre comissionados e efetivos, como se aqueles se esforçassem mais porque dependem dos salários pagos pela Junta Comercial, enquanto os efetivos não precisariam se esforçar porque são estáveis e, ainda que a Jucees acabe, permaneceriam recebendo seus salários é de absoluto mau gosto. Coloca em cheque o caráter dos servidores efetivos, como se não tivessem princípios éticos que os norteassem. Mais uma vez, demonstra o desconhecimento da realidade dos serviços prestados pela autarquia, e a imagem totalmente distorcida que têm a respeito de seus colaboradores.
Outra frase que nos chamou a atenção foi quando disse que caso a Jucees acabe, os servidores efetivos vão ser mandados para a SEGER, aquele lugar depressivo que “nem garagem tem!” É impensável um dirigente público achar que os servidores estão em melhores condições de trabalho porque tem estacionamento. Condições dignas de trabalho engloba um conjunto de fatores que parece ser do total desconhecimento dessa presidência, a começar pelo respeito àqueles que fazem a Jucees existir, que permitem que seus serviços sejam prestados graças aos seus esforços diários. Aos servidores que estão laborando nesta autarquia graças a seus próprios méritos, porque foram aprovados em concurso público, servidores que não precisam “dar jeitinho” para conseguir um cargo público.
Servidores que mesmo estando dois anos sem receber recomposição de salário, sem receber auxílio alimentação e auxílio transporte, com uma sobrecarga de trabalho, ainda assim dão conta de cumprir com suas tarefas. Mas parece que essa presidência ignora tudo isso, e os considera “laranjas podres”, conforme foi dito na infeliz reunião.
Para finalizar, foi dito pela presidente que na empresa de seu marido “os funcionários ganham mal, mas todo mundo é feliz”. Ora, mais uma vez ou se trata de ingenuidade ou de querer enganar os servidores com uma grande mentira.
Primeiro, porque sabemos que no campo privado basta uma mera menção de insatisfação que o trabalhador é demitido sem maiores explicações, talvez esse o motivo de funcionários, que dependem dos salários para sobreviver, parecessem felizes.
Segundo, porque achar normal que funcionários ganhem mal, enquanto os patrões ganham bem, só demonstra o pensamento perverso de uma elite que pouco se importa com o grave problema de desigualdade social em nosso país.
Assim, de tudo o que nos foi relatado, destacamos esses pontos que consideramos demonstrar o pouco respeito que essa presidência tem para com seus colaboradores, e o total despreparo enquanto administrador público. Um discurso que desqualifica os servidores, que desagrega o grupo ainda mais e que causa grande indignação.
Lamentamos o episódio ocorrido e ficamos na expectativa de que este ofício, ao menos, cause reflexão, para que falas tão infelizes como as que foram ditas não venham a se repetir.”