

Servidores públicos estaduais realizaram na manhã desta quarta-feira um ato na Praça Costa Pereira, em Vitória, exigindo do governo Ferraço-Casagrande uma nova proposta de reestruturação das carreiras. Após a concentração, os manifestantes seguiram em caminhada até o Palácio da Fonte Grande, onde encerraram o protesto e anunciaram nova mobilização para segunda-feira, 2 de fevereiro, às 14h, na Assembleia Legislativa. O movimento ocorreu após a rejeição quase unânime, em assembleia realizada no dia 15 de janeiro, da proposta do governo estadual de reajuste de apenas 4%. Para os servidores, o índice é insuficiente diante da reivindicação original do Sindipúblicos, que prevê recuperação de 35% das perdas salariais e correção das distorções entre os níveis de carreira.
Em ofício encaminhado ao governo, o sindicato destacou que a contraproposta falha ao não alterar os percentuais entre níveis — 70% do nível médio técnico para o superior e 50% do nível médio para o superior — mantendo carreiras defasadas e desmotivadoras. Também criticou a exclusão dos Agentes de Suporte Educacional (ASEs) da reestruturação, ressaltando sua importância para o funcionamento das escolas, inclusive durante a pandemia. Outra reivindicação é a inclusão da carreira de Técnico de Suporte em Desenvolvimento Rural, extinta em 2023 e deixada de fora da reestruturação de 2024.
Durante o ato, servidores deram depoimentos reforçando a insatisfação com a proposta do governo. Silvia Neitzel Ferreira, servidora do Iases, afirmou que “esses 4% representam uma vergonha. Não é uma proposta técnica, não chega a ser nem uma proposta política. Ela é uma proposta desconexa com a nossa categoria. A proposta apresentada pelo sindicato é técnica, estudada, estruturada, e faz uma reparação histórica”. Josicleia, servidora do Idaf, destacou o impacto do achatamento salarial: “Quando a gente tem um achatamento de mais de 50%, falta palavras, porque não podemos chamar 4% de uma contraproposta. O sindicato fez uma escolha técnica, mas o governo insiste em ignorar a realidade dos servidores”.
O vice-presidente do Sindipúblicos, Mauro Ribeiro, também criticou a postura do governo e relacionou a luta dos servidores às desigualdades sociais no Espírito Santo. “Estamos muito abaixo das necessidades da população capixaba. O Estado está entre os piores em habitação irregular, e isso é uma vergonha nacional. A nossa luta é pelos nossos direitos, é para defender o serviço público de qualidade, é para continuar à frente dessa jornada que começamos desde o ano passado e seguimos agora retomando para dizer não a essa proposta”, afirmou.
Já o diretor do sindicato, Tadeu Guerzet, relatou a precarização enfrentada pelos servidores, que chegam a vender produtos para complementar a renda. “Estamos com boletos atrasados, vendendo bolo de pote nas unidades e procurando qualquer coisa fora do serviço público que trate com mais respeito. O governo quer substituir concursados por terceirizados, fazendo com que verbas escapem através da MGS e reduzindo a receita da previdência estadual. Essa engenharia maluca que o Palácio da Fonte Grande está pensando só fragiliza ainda mais o serviço público”, disse.
A mobilização demonstrou a disposição da categoria em manter a pressão por uma proposta que contemple a recuperação salarial e a valorização das carreiras, reforçando que o atual índice oferecido pelo governo não atende às necessidades da categoria nem à qualidade do serviço público e estão dispostos a retomar a greve, inclusive com manifestos durante o período eleitoral.
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Texto: Douglas Dantas Foto: Nayana Yara