
Praticamente todos os servidores públicos aderiram à Greve Geral fechando as repartições públicas de toda a Grande Vitória nesta quinta-feira, 11, Dia nacional de Luta, organizada pelo movimento Campo Cidade, que reúne os principais sindicatos e entidades populares do Espírito Santo.
Desde a madrugada, os manifestantes se concentraram em diversos pontos da região metropolitana de onde seguiram para a Assembleia Legislativa. A concentração dos servidores públicos começou às 5h ao lado da Rodoviária de Vitória. Após a chegada dos manifestantes que vieram de Cariacica, os trabalhadores seguiram em Marcha pelas ruas da Ilha do Príncipe, Vila Rubim e Centro.
Chegando ao Palácio Anchieta, as diversas categorias presentes discursaram sobre as principais reivindicações e, em comissão, entregaram a pauta definida conjuntamente, ao governador Renato Casagrande e ao presidente do Tribunal de Justiça, Pedro Valls Feu Rosa.
O presidente do Sindipúblicos, Gerson Correia de Jesus, lembrou da falta de equilíbrio do governo Casagrande entre o atendimento aos empresários e aos seus servidores. “Precisamos ser respeitados por este governo. Ele defende o pedágio mais caro do país, defende as renúncias fiscais às grandes empresas, gerando um prejuízo ao Estado de mais de 20 bilhões nos últimos anos. No entanto, sucateia o serviço público, com prédios abandonados, caindo na cabeça dos servidores, e oferece apenas 4% de reajuste. Exigimos uma valorização do servidor público. A reposição inflacionária dos últimos anos e o reajuste do auxílio-alimentação. E se tem dinheiro pra doar para as empresas, também tem que ter dinheiro para pagar os precatórios!”
A pauta entregue ao governador e ao presidente do TJ, o Movimento Campo Cidade, inclui:
– Contra o PL 4330, da “terceirização” que retira direitos dos trabalhadores brasileiros e precariza ainda mais as relações de trabalho no Brasil; esse Projeto precisa ser varrido imediatamente da pauta do Congresso Nacional;
– Que as reduções de tarifa do transporte não sejam acompanhadas de qualquer corte dos gastos sociais;
– 10% do orçamento da União para a saúde pública;
– 10% do PIB para a educação pública, “verbas públicas só para o setor público”;
– Fim do fator previdenciário;
– Redução da Jornada de Trabalho para 40 horas sem redução de salários;
– Reforma Agrária;
– Suspensão dos Leilões de Petróleo.
Com um semblante de muito assustado e preocupado com as últimas manifestações, ao receber os trabalhadores, Casagrande garantiu que a partir da próxima semana, uma comissão irá se reunir com o grupo para começarem a discutir cada ponto de pauta. “A pauta já é de conhecimento do governo, já tivemos várias reuniões com os sindicatos e temos conhecimento. Vamos formar uma comissão para discutir cada proposta do movimento”.

Violência da PM nas manifestações
Questionado por um estudante presente sobre a violência desenfreada da PM contra os manifestantes, Casagrande tentou criminalizar os últimos movimentos. “Reconheço as reivindicações, mas temos visto vândalos nas ruas. Estou sempre aberto para conversar com os sindicatos. Já tivemos várias reuniões nos últimos anos. Quanto a questão da violência, a reação da PM foi contra os vândalos” comentou o governador.
No entanto, sindicalistas presentes informaram ao governador que a reação da sua PM, não foi apenas contra os vândalos. “Jornalistas não são vândalos, manifestantes não são vândalos, e foram alvo, à queima roupa, de sua polícia. É preciso que o senhor oriente a sua PM para que respeite a todos que estão manifestando pacificamente e os trabalhadores” discursou o diretor da Federação Nacional dos Jornalistas, Douglas Dantas.
#OcupaALES e Pedágio
Quanto à Ocupação da ALES e o pedágio da Rodosol, ao ser questionado, o governador garantiu “Comprometo-me em reunir com a mesa diretora e o grupo que está ocupando a Assembleia para chegar a um acordo comum”.
No entanto, parece que a fala do governador, mais uma vez foi apenas uma promessa, já que quando a marcha chegou à Assembleia, já era de conhecimento de todos os presentes o pedido de reintegração de posse assinado pela mesa diretora. “Não podemos aceitar que atitudes assim aconteçam. Temos que exigir que as promessas sejam efetivadas. O governo precisa sair do discurso politiqueiro e agir com respeito para com os trabalhadores” comenta Gerson de Jesus.
No início da tarde, manifestantes que estavam concentrados em diversos pontos da Grande Vitória se encontraram em frente à Assembleia Legislativa do Estado (Ales), onde fizeram uma vigília em apoio ao grupo que permanece ocupando o prédio pelo fim do pedágio da Terceira Ponte.
A proposta inicial era de que uma comissão dos trabalhadores fosse recebida pelo presidente da Casa, Theodorico Ferraço, para entregar a pauta de reivindicações ao legislativo. Contudo, diante do pedido de reintegração de posse feito pela Ales, que aguarda apreciação da Justiça, os trabalhadores decidiram permanecer do lado de fora para garantir a integridade física do grupo que ocupa a Assembleia, no caso de uma tentativa de desocupação do prédio.
“Não podemos sair desse ato com o risco iminente de uma desocupação à força pela Polícia Militar, que pode colocar em risco a integridade dos militantes que seguem lutando por um direito do povo capixaba”, explica Idelmar Casagrande, diretor do Sindicato dos Bancários/ES. De acordo com Idelmar, a pauta será entregue posteriormente, de forma individual, a todos os 30 parlamentares da Assembleia.
O movimento Ocupa Ales divulgou uma nota reafirmando o posicionamento de permanecer na Assembleia até a votação do decreto legislativo que propõe o fim do pedágio da Terceira Ponte, prevista para a próxima segunda-feira, 15. Em nota, eles apresentaram outras reivindicações, como “o corte de ponto dos deputados que boicotam as sessões, uma reunião do movimento diretamente com o governador e a instituição de um espaço permanente destinado aos movimentos sociais dentro da casa do povo”.
A organização do Dia Nacional de Luta no ES avalia que mais de 90% dos capixabas cruzaram os braços mostrando a força do trabalhador para o empresariado e os governos que insistem em desrespeitar diariamente a sociedade. Mesmo com a dificuldade em transitar pela Grande Vitória devido aos bloqueios e a falta de ônibus, a estimativa é que mais de 2 mil participaram do Ato em frente a Assembleia.