Servidores em contagem regressiva para a Greve Geral

Secretário de Economia e Planejamento diz que Seger não encaminhou projeto da reestruturação para análise
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A última semana foi marcada por assembleias e paralisações que fortaleceram a mobilização dos servidores públicos estaduais pela reestruturação das carreiras. Para esta semana, novas ações estão previstas, culminando na Assembleia Geral Unificada, agendada para quarta-feira, 1º de outubro, quando a categoria deve deliberar sobre a deflagração da Greve Geral.

Projeto segue parado

Apesar do compromisso assumido pelo secretário de Gestão e Recursos Humanos, Marcelo Calmon, em reunião no dia 1º de setembro, o estudo elaborado pela pasta sequer foi encaminhado à Secretaria de Economia e Planejamento. A informação foi confirmada pelo secretário Álvaro Duboc, em reunião na última sexta-feira (26) com a diretoria do Sindipúblicos, representada pela presidenta Renata Setúbal e o diretor Iran Caetano.

“Até o momento não chegou nada aqui sobre esse projeto da reestruturação de vocês”, afirmou Duboc, destacando que a análise de impacto depende do alinhamento entre Seger e Casa Civil.

Diante da falta de encaminhamento, o Sindicato cobrou maior respeito e sensibilidade do governo com a pauta dos servidores, ressaltando o baixo impacto financeiro da proposta e a importância da valorização da categoria.

Estado tem recursos para investir

Com arrecadação já superior a R$14 bilhões em 2025 e previsão de ultrapassar os R$29 bilhões até o fim do ano, o Espírito Santo apresenta um cenário de estabilidade fiscal. O Fundo Soberano, que soma R$2 bilhões, equivale a cerca de 10% da receita anual e pode ser utilizado para investimentos, liberando margem na receita corrente líquida para valorização dos servidores.

Atualmente, apenas 35,3% da arrecadação é destinada ao funcionalismo do Executivo — abaixo do mínimo de 44,1% previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Para o sindicato, há espaço orçamentário e uma dívida histórica com os servidores, que foram fundamentais para o equilíbrio das contas públicas em gestões anteriores.

A proposta de reestruturação das carreiras do Executivo estadual representa um impacto financeiro considerado mínimo para o governo — apenas 1,1% na folha de pagamento — mas é vista como essencial pelos servidores, que acumulam perdas salariais superiores a 50% nos últimos anos. Segundo o Sindipúblicos, o reajuste pode recuperar até 30% dessas perdas, oferecendo uma oportunidade concreta de reequilíbrio financeiro para milhares de trabalhadores.

Assembleia com indicativo de greve

Com a ausência de resposta concreta, o Sindipúblicos convoca os servidores para a Assembleia Geral marcada para o dia 1º de outubro, às 9h30, na quadra do Sindibancários, com indicativo de greve. A expectativa é de que o governo se manifeste diante da crescente insatisfação da categoria.

A campanha salarial de 2025 pela reestruturação das carreiras segue mobilizando servidores em todo o estado. O sindicato reforça o chamado ao governador Renato Casagrande: é hora de cumprir o compromisso com quem ajudou o Espírito Santo a conquistar o selo de “Nota A”.

Linha do tempo

Confira abaixo as principais ações de mobilização da Campanha Salarial 2025 pela reestruturação das carreiras.

 

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Texto: Douglas Dantas Foto: Divulgação