

Servidores do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), em conjunto com professores, estudantes, pesquisadores, líderes comunitários, pescadores artesanais, quilombolas, indígenas e a sociedade civil do Espírito Santo, lançaram um manifesto contra o programa de concessão de Unidades de Conservação do estado. O Decreto Estadual nº 5409/2023, que inclui parques como Cachoeira da Fumaça, Forno Grande, Pedra Azul e Itaúnas, gerou intensa controvérsia.
O manifesto critica a falta de consulta às comunidades locais, conforme previsto na legislação, e a ausência de estudos de impacto ambiental. Os signatários argumentam que a proposta do governo, que inclui a construção de teleféricos e hospedagens em áreas de proteção integral, coloca em risco ecossistemas vulneráveis e compromete a missão primordial dessas áreas, que é a conservação ambiental.
“A construção desses empreendimentos nos Parques Paulo César Vinha e de Itaúnas constitui risco gravíssimo ao ecossistema, especialmente em um período crítico como o que vivemos, marcado por catástrofes ambientais, emergência climática, queimadas em áreas preservadas, secas, inundações e deterioração da qualidade de vida no estado, no país e no planeta. No caso do Espírito Santo, em que rios, mares e comunidades foram altamente impactados pelo rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco com o extravasamento de rejeitos de minério de ferro e sílica, conhecido como o crime ambiental de Mariana em 2015, propostas como essas tornam-se uma afronta à preservação ambiental, à qualidade de vida e à saúde da população” alerta o documento.
“Nosso objetivo é sensibilizar os formadores de opinião para que o governador Renato Casagrande reveja a proposta de concessão desses parques. Precisamos, sim, de investimentos nesses parques, assim como em todas as unidades de conservação, mas para garantir a continuidade desses espaços como Unidades de Conservação sem impactar o seu objetivo que é proteger e resguardar esses últimos refúgios de fauna e flora capixabas. Precisamos de mais servidores, com concurso também para guardas ambientais, além de outros que atuem no manejo, na fiscalização e na educação ambiental” comenta Silvia Sardenberg, servidora do Iema e secretária geral do Sindipúblicos.
O manifesto, que está aberto para assinaturas, visa mobilizar a opinião pública e pede que o governador Renato Casagrande reavalie o projeto de concessão.
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Foto Divulgação / Iema