Reestruturação do Iema avança na Ales. Servidores cobram valorização e concursos.

Fim da escala 6×1 e redução da jornada são positivos para a economia, aponta estudo do Ipea 
24 de fevereiro de 2026
Vice-governador apresenta contraproposta de reestruturação das carreiras ao Sindipúblicos
25 de fevereiro de 2026

O governador Renato Casagrande (PSB) encaminhou à Assembleia Legislativa o Projeto de Lei Complementar (PLC) 41/2025, que altera o organograma do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). A proposta reorganiza cargos comissionados e funções gratificadas, revoga a legislação vigente e, segundo o governo, busca modernizar a instituição diante das novas atribuições assumidas nos últimos anos, como a gestão da fauna silvestre e exótica.

Para os servidores, no entanto, a medida não enfrenta o problema central: a falta de pessoal e valorização. O coordenador-geral da Assiema, João Paulo Furtado, afirma que a sobrecarga de trabalho decorre da redução histórica do quadro técnico frente ao aumento das demandas ambientais. “Não há no projeto qualquer previsão de criação de novos cargos efetivos ou autorização para concurso público. O que se altera são cargos comissionados e funções gratificadas”, observa.

O texto mantém o Iema como autarquia com autonomia técnica, administrativa e financeira, e prevê prazo de até quatro meses para ajustes internos após a publicação da lei. A Assiema alerta que a modernização só será efetiva com valorização das carreiras técnicas e realização de concursos. “Não se fortalece fiscalização e licenciamento apenas com nova divisão de gerências. É preciso ampliar o número de analistas ambientais, técnicos e guardas ambientais”, sustenta Furtado.

Os servidores também criticam medidas anteriores, como o PLC 34/2025, que flexibiliza processos de licenciamento ambiental, e o Programa Estadual de Desenvolvimento Sustentável das Unidades de Conservação (Peduc), que transfere a gestão do turismo dos parques estaduais para empresas privadas. Para a associação, essas iniciativas representam retrocessos e fragilizam a política ambiental capixaba.

Silvia Sardenberg, secretária-geral do Sindipúblicos e servidora do Iema, reforça a crítica. “O PLC propõe a criação de uma diretoria que cuide do patrimônio natural do Espírito Santo e isso é uma demanda antiga. Os servidores entendem que isso irá contribuir na gestão pois historicamente a diretoria técnica sempre foi consumida pela agenda marrom (licenciamento ambiental). Contudo, sem aumento do número de servidores e sem valorização efetiva dos mesmos a situação não será resolvida. Muda o organograma, mas não resolve o problema estrutural do Iema.”

 

Tem um artigo inspirador, uma análise relevante ou uma pauta que merece atenção? Compartilhe com seus colegas enviando para jornalista@sindipublicos.com.br e ajude a dar voz às ideias que fortalecem nossa luta; juntos, construímos um Sindicato cada vez mais forte, atuante e conectado com a categoria — participe, contribua e seja protagonista dessa história!

Quem faz o Sindicato somos nós!

E quem representa você é o Sindipúblicos! Filie-se!

Texto: Douglas Dantas Foto: Arquivo