Primeira Marcha Estadual da Mulher Negra Capixaba cobra segurança, políticas públicas e respeito

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Entidades entregaram ao governo estadual documento com as principais reivindicações.

A Primeira Marcha Estadual da Mulher Negra Capixaba bradou pelas ruas do Centro de Vitória um grito de socorro e de resistência. 

Movimentos sociais e sindicais do campo e da cidade estiveram presentes na I Marcha Estadual da Mulher Negra Capixaba, em alusão ao 25 de julho, Dia da Mulher Negra Latina-americana e Caribenha, instituído no Brasil em 2014 pela presidenta Dilma Rousseff.

A marcha fez ecoar nas ruas do Centro de Vitória, na última sexta-feira (28), as principais pautas e problemas enfrentados pelas mulheres negras e quilombolas, no Espírito Santo, e exigiram respeito e políticas públicas.

O Coletivo de Mulheres do Sindipúblicos esteve representado pelas diretoras Renata Setúbal, Emmanuelle de Oliveira, Silvia Sardenberg, Magna Manoelli e pelas mulheres que compõem o quadro de funcionários do Sindicato, além de servidoras na base da categoria, reafirmando o compromisso da entidade sindical com a defesa do direito das mulheres, em especial as mulheres pretas, que são alvo das maiores violências e adversidades no nossa sociedade. 

Durante a concentração da Marcha, no Palácio Anchieta, uma comissão composta por diversas lideranças entregou ao Governo do Estado uma carta com as reivindicações elaboradas pelo Fórum Nacional de Mulheres Negras Capixaba (FEMNC). A atividade fez parte da programação julho das pretas. 

Após a entrega do documento no Palácio Anchieta, elas seguiram em marcha pela Avenida Jerônimo Monteiro, finalizando o ato na Praça Costa Pereira. Durante todo o trajeto, mulheres se revezaram denunciando os principais problemas que vivem na sociedade misógina e machista. 

Violência contra as Mulheres 

Em recente pesquisa divulgada pela Anistia Internacional, destaca que, apesar das mulheres negras representarem em torno de 25% da população brasileira, são as mais atingidas pelo feminicídio. Do total de mulheres mortas, 61% são negras. A Anistia Internacional ainda revela que as mulheres negras também são as que mais morrem em confrontos com a polícia, e até mesmo as mais atingidas por eventos climáticos extremos, como enchentes. Para Jurema Weneck, diretora-executiva da Anistia, é preciso um trabalho envolvendo governo e Justiça para haver mudança nesse quadro.

“Até quando teremos uma PM que irá nos matar e não nos proteger. Meu filho morreu covardemente por militares. Nunca foi preso, não devia nada.” desabafou uma das mães que tiveram seu filho morto por abordagens de militares.

Outra participante chegou a chorar e precisou receber suporte das demais. “Estou aqui pedindo ajuda. Não sei até quando estarei viva. Sofro violência do meu marido. Sofro violência por denunciar as mazelas da minha comunidade. Me ajudem.” 

Cultura e afirmação da identidade Afro-capixaba

Foi marcante a presença de manifestações artísticas e culturais, reafirmando o espaço, a identidade, a musicalidade do corpo preto na sociedade contemporânea, os penteados, coloridos e estampados, batas, turbantes e adereços deram o tom do evento, com destaque para a participação de integrantes dos blocos afros de Vitória, Afrokizomba e Coisa de Negres que embalaram com muita música afro. Para Nayana Yar, bailarina do Bloco AfroKizomba, “o ato é pela defesa de direitos, de denúncia e representatividade preta. Participar dançando é um ato político! É meu corpo se manifestando contra a opressão machista e racista.”  

As diretoras Silvia Sardenberg e Emanuelle de Oliveira representaram o Sindicato na luta e no ritmo. As duas diretoras da entidade participam e compõem grupos carnavalescos. Silvia é do bloco Coisa de Negres e Emanuele, além de destaque no Carnaval é ritmista da Pega no Samba.

Dentre as participantes, estava a sindicalizada, servidora da Sesa, Sandra Gomes. “Estamos comemorando a luta de Tereza de Benguela. A importância desta Marcha está na valorização da mulher preta, menos feminicídio, menos mortes do povo negro. Vamos avante! Muito importante o Sindicato apoiar este movimento”.

Reivindicações e críticas ao Coronel Ramalho

Ao final, as participantes leram o documento entregue ao governo que cobra, dentre outros pontos, a presença do Estado, com políticas públicas nas comunidades periféricas; uma educação antirracista; o fim do machismo, do racismo, da lesbofobia, da transfobia, da intolerância religiosa, da xenofobia, e do preconceito e discriminação de qualquer natureza; fim da exploração sexual das crianças e adolescentes; aborto legal, seguro e pelo fim da violência obstétrica; e valorização da trabalhadora doméstica; fim da intolerância religiosa; aplicação dos recursos das leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc em projetos que priorizem as culturas afro-indígenas; mudanças na política de segurança pública com a saída do coronel Alexandre Ramalho.

A valorização das servidoras negras também foi destacada. “O governo precisa nos ouvir. Precisa atender nossos pleitos. Precisamos de políticas públicas que atendam as servidoras e toda sociedade. Chega de preconceitos, chega de assédio!” cobrou a diretora Magna Manoeli durante sua fala.

A marcha foi organizada pelo Fórum Estadual de Mulheres Negras Capixaba (Femnc) e contou com várias entidades, além do Sindipúblicos, estiveram presentes o Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (Cenarab), Associação de Mulheres Unidas de Cariacica Buscando Libertação (Amucabuli), União de Negros e Negras pela Igualdade (Unegro), Fordan – Cultura no enfrentamento às violências, programa de extensão da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e os mandatos da deputada estadual Iriny Lopes (PT) e do deputado federal Helder Salomão (PT), e da vereadora de Vitória Karla Coser (PT), da deputada estadual Camila Valadão (Psol) e do vereador de Vitória André Moreira. Clique aqui e confira o documento completo.

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Resumindo

I Marcha da Mulher Negra capixaba saiu às ruas na última sexta-feira (28)

Movimento denunciou preconceitos e violências e cobrou políticas públicas e respeito.

Sindipúblicos esteve representado com a participação de suas diretoras.

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