

A defesa de abertura das escolas tem sido quase que exclusiva da iniciativa privada e do governo Casagrande, sem apoio dos municípios.
Até o momento, a ampla maioria dos municípios capixabas não retornaram com as aulas presenciais em suas redes. Mais de 30 cidades já definiram pela abertura só em 2021.

Esse retorno, em momento de aumento de novos casos, preocupa especialistas. “A gente tá vendo o aumento do número de casos e internação. É bastante preocupante esse retorno, até se a gente considerar que cinquenta dias letivos, né? Qual é o valor pedagógico disso ainda tendo uma alternância? Cada grupo só vai vinte e cinco dias letivos na escola. É preciso que se pense bem. Vai mobilizar muitas pessoas na cidade, principalmente professores e esses as vezes moram em uma cidade e dão aula em outra. Vejo com preocupação esse retorno nesse momento” avalia a epidemiologista Ethel Maciel.
A Especialista em Gestão Pública Educacional, Leida Alves Tavares lembra que “a volta às aulas presenciais deve ser pensada e planejada. As soluções não são de curto prazo. Não estamos numa corrida contra o tempo e nesse processo não há espaço para imediatismos”.

A educadora também comenta sobre o andamento das atividades “basta entendermos que não teremos uma retomada de onde paramos. Por isso a pergunta mais importante a fazer está vinculada à ideia de “como” voltaremos e secundariamente de “quando” voltar”.
Essas perguntas têm gerado dúvidas e incertezas. Pais, professores e servidores têm questionado a atitude do governo Casagrande criticando a falta de diálogo e transparência. “Destaca-se, mais uma vez, a necessidade de uma ampla abertura ao diálogo com a comunidade escolar e as organizações locais da sociedade civil, com uma comunicação frequente e transparente a todo momento” reforça Leida.
Outro fato que tem contribuído para a manutenção das escolas fechadas é o aumento dos casos pelos servidores públicos. “Cada dia temos recebido informações de novos casos em órgãos públicos. Incaper, Detran, RTV, Idaf. Vários contaminados, alguns com gravidade e infelizmente até servidores vieram à óbito. Mesmo com todo protocolo. Imagina com crianças que sequer respeitam pais e boa parte nunca respeitaram os educadores. Defender o retorno sem uma vacinação dos adultos é colocar todos em risco” comenta Tadeu Guerzet.
Quanto à rede privada, pais tem associado a insistência do retorno às aulas para o retorno da cobrança do valor integral. “O final do ano está chegando e precisam justificar o valor cheio e as matrículas escolares, que deverão ficar mais caras. Já chegaram a dizer que com as escolas abertas não se justificaria nenhum desconto devido a pandemia.” comenta a mãe de um aluno de uma rede de escolas particulares de Vila Velha.
O Sindipúblicos mantém a defesa da vida e entende que a Rede Pública e Privada precisam garantir conteúdo programático e condições adequadas do ensino remoto para todas as crianças e retomas as aulas apenas quando houver devida garantia de segurança à saúde dos trabalhadores em educação e alunos.