

Três anos após o leilão de onze áreas de sal-gema no norte do Espírito Santo, o zoneamento ambiental da Área de Preservação Ambiental (APA) de Conceição da Barra foi modificado, permitindo a mineração em locais com jazidas de sal-gema.
O Espírito Santo abriga a maior jazida de sal-gema da América Latina, com grande parte localizada dentro da APA de Conceição da Barra. A alteração do zoneamento foi oficializada por meio da Portaria Conjunta Seama/Iema Nº 009 R, de 18 de setembro, e publicada no Diário Oficial. Contudo, o detalhamento dessa mudança ainda não foi divulgado no site oficial do Iema, como determina a própria portaria.
Quatro empresas adquiriram direitos sobre blocos de sal-gema na região, em um negócio avaliado em aproximadamente R$ 170 milhões. Três delas são capixabas: Sal-Gema do Brasil LTDA, SG Brasil Mineração Ltda, e Dana Importação e Exportação. A multinacional Unipar Carbocloro S.A. também está envolvida. A exploração do sal-gema foi uma das principais bandeiras da campanha de Felipe Rigoni, atual secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Após o colapso ambiental em Maceió, causado pela extração de sal-gema pela Braskem, Rigoni enxergou uma oportunidade para viabilizar o leilão das jazidas no Espírito Santo, descobertas na década de 1980.
“Mais uma vez os interesses econômicos se sobrepõem aos da conservação ambiental. Vamos juntos com as comunidades locais acompanhar a implementação desse novo zoneamento” observa Silvia Sardenberg, servidora do Iema e secretária-geral do Sindipúblicos.
Uma das principais críticas à gestão de Felipe Rigoni é que sua nomeação para o cargo de secretário de Meio Ambiente representa uma “afronta à sociedade capixaba”, devido à sua falta de experiência no setor ambiental. Os servidores também denunciam o que chamam de uma submissão do governo aos interesses de grandes grupos econômicos envolvidos na exploração do sal-gema.
Diante desse cenário, o Sindipúblicos reforça a petição online que pede a exoneração do secretário e a revogação da Lei 1073/2023, conhecida como “Lei da Destruição”, que flexibiliza licenças ambientais e estudos no estado.
Outro ponto de preocupação entre os servidores é o Programa Estadual de Desenvolvimento Sustentável das Unidades de Conservação (Peduc), idealizado por Rigoni. Eles veem o programa como uma possível forma de privatização das áreas protegidas, levantando sérias preocupações sobre a preservação desses espaços em face de interesses empresariais.
Confira matéria completa sobre a exploração de sal-gema em Século Diário.
Foto: Ilustração Iema