

Em recente reportagem divulgada pela Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Espírito Santo (ACS-ES) revela que a perseguição vivenciada pelos militares após o movimento de fevereiro de 2017 tem causado suicídios e tentativas de atentados contra a própria vida.
O último caso foi registrado na madrugada do sábado, dia 19 de maio, quando um diretor da própria ACS tentou se matar. Imediatamente os familiares acionaram a polícia, que quando os militares chegaram a residência tomaram a arma do soldado e conseguiram impedir que o pior acontecesse, encaminhando-o para tratamento no Hospital da Polícia Militar.
Conforme denuncia a associação dos militares, o caso acima não é o primeiro de 2018 e estimam que “deve superar às tentativas ocorridas no ano passado, ano em que foi registrado um aumento de 500% no número de suicídio de praças”.
Em julho do ano passado, lembram que a cabo Fernanda Ferreira Nunes atirou contra a própria cabeça, no bairro Nova Itaparica, em Vila Velha. Quatro meses depois, o Soldado Bonomo também suicidou-se. “Os militares chegaram ainda o encontrar com vida, mas ele não quis conversar com os colegas de farda…. viu a viatura, deu uns três passos e atirou, se ferindo gravemente. Bonomo foi socorrido para o Hospital São Lucas onde passou por cirurgia e morreu”.
A Associação critica o antigo comandante da PMES e o governo pelos casos e reforça o diálogo necessário. “O caso do Soldado diretor da ACSPMBMES é um alerta para o novo comandante, que diferente do seu antecessor, abriu um canal de diálogo com a tropa. É preciso pisar no freio, é preciso desacelerar com as perseguições porque elas estão matando uma tropa que já está doente e agonizante”.
Segundo ressaltado pelo pelo psiquiatra Bernardo Santos Carmo, a perseguição à tropa fez com que quase 500 militares foram e (ainda são) acompanhados. “Há uma desesperança quase que unânime e sentimento de menos valia, de desvalorização do próprio trabalho é algo que se intensificou muito nos últimos tempos. A irritabilidade também é constante a ponto de, se não houver um tratamento para muitos policiais pode haver uma tragédia iminente. Inclusive muitos devem ficar afastados por isso. É algo temerário esses militares continuarem em serviço com o risco de homicídios e principalmente suicídios. Já presenciei esse último risco em dezenas de militares”, afirma o psiquiatra Bernardo Santos Carmo.
Além dos militares, a ACS ainda denuncia que há registro de tentativas de suicídio também entre os familiares.
Risco à sociedade
O Sindipúblicos reforça a necessidade de valorização dos servidores públicos e também no respeito a vida e aos direitos básicos que qualquer trabalhador tem direito. O tratamento dado aos policiais demonstram a irresponsabilidade do governo que persegue os militares colocando em risco toda a sociedade. Em uma profissão que já tem que lidar constantemente com o estresse, a atitude de querer imputar a culpa dos problemas vivenciados em fevereiro de 2017 nos policiais militares e seus familiares aumenta a insegurança colocando familiares, amigos e toda a sociedade em risco.
O governo precisa rever toda sua política de negociação com os servidores públicos em geral e nesse caso, em especial, com os militares. Passados mais de um ano, pouco mudou. Falta investimento em pessoal e em infraestrutura, fazendo com que o Espírito Santo continue no ranking dos estados com mais casos de violência.
Fonte: Clique aqui e confira a matéria da ACS-ES na íntegra.