

É inegável a importância do transporte coletivo no dia a dia das pessoas e da economia, especialmente daquelas que vivem em grandes centros urbanos como a Região Metropolitana de Vitória. Nesses tempos de pandemia, ficaram ainda mais evidentes as deficiências e necessidades de melhorias no transporte coletivo.
Revolucionário quando implantado, o Sistema Transcol não tem acompanhado o crescimento demográfico e econômico da região, agravado por opção política e ideológica em que se oferece à população apenas um modal (ônibus) por meio de concessão a consórcios de empresas com cobrança de tarifas e subsídio estatal.
Nessas condições, a procura pelo serviço tem reduzido ano a ano, seja pela precária qualidade, seja pela dificuldade de pagamento da tarifa e/ou falta de segurança.Falta uma política pública que considere as expectativas de conforto, custo e segurança do usuário do serviço.
O desenvolvimento e a implantação do Projeto Transcol, ainda nos meados da década de 80, trouxe melhorias e redução de custos ao caótico sistema de transporte coletivo da época. Além de atender às novas exigências de deslocamentos que surgiam com o crescimento econômico e a expansão imobiliária.
Entretanto, mais de 30 anos se passaram e pouco se investiu em inovação à mobilidade urbana na Grande Vitória. Os poucos investimentos foram pontuais em infra-estrutura: vias públicas e terminais de ônibus.
A centralização em apenas um modal já se mostrou obsoleta, precisando urgente de ser implantadas múltiplas opções de estruturas e de serviços. É flagrante a baixa qualidade, ônibus superlotados, mal conservados, limpeza e segurança precarizadas. É o investimento e o pensar em uma Mobilidade Urbana e, Humana, que realmente promoverá um novo salto nas condições e formas de deslocamentos das pessoas.

“Precisamos pensar as cidades hoje sem deixar de pensarmos soluções para o futuro. É repensar a cidade e como as pessoas podem se mover da melhor forma dentro delas. Fora isso, é continuarmos convivendo com sistemas de transportes de massas que se tornarão cada vez mais ineficientes.“
Pensar a Mobilidade Urbana para a Região significa assumir politicamente a prioridade de ocupação das vias públicas pelo Transporte Coletivo. Na Grande Vitória, por exemplo, seria separar o tráfego de veículos destinados ao transporte de massa dos de transporte individual.
Significa planejar as cidades com uma rede de ciclovias integradas entre os municípios para uma circulação segura e intermunicipal. Significa estruturar uma rede multimodal (trem, metrô, BRT, VLT, lanchas, balsas, teleféricos) que ofereça às pessoas a escolha de utilização em substituição ao veículo individual que se tem mostrado cada vez mais caro e poluente.
O Planejamento Urbano integrado definirá, entre essas opções de modais, quais as mais adequadas. Do ponto de vista do comportamento, cabe ainda promover, de forma segura, a prática da “carona solidária” que visa a redução de custos para o usuário do automóvel, a redução de veículos circulando e a consequente contribuição para melhoria do trânsito.
A dinâmica socioeconômica da Região Metropolitana também precisa ser repensada urgentemente, com a organização de polos comerciais e de serviços próximos aos bairros, ou intra-bairros, que possibilitem o acesso ao consumo e a locais de trabalho sem a necessidade de transporte coletivo ou motorizado.
Urgente, também, é o escalonamento do horário de início e final de funcionamento dos diversos setores econômicos, como comércio, serviços, escolas e indústrias para redistribuir o período de procura pelo transporte coletivo, ajustando a demanda por esse serviço à capacidade de ocupação dos veículos. Tal medida, não anula a necessidade de redimensionamento da frota do Sistema Transcol que, especialmente nos horários de pico, apresenta sério desequilíbrio entre a oferta de veículos e a demanda de passageiros.
Algumas medidas foram adotadas pelo Governo do Estado na gestão da pandemia, entretanto não representaram EFETIVAMENTE melhoria do serviço, nem aumento da oferta de veículos e de infraestrutura que garantissem o distanciamento social, maior conforto e segurança. Essa falta de efetividade acontece justamente porque já não cabem apenas medidas pontuais para uma alteração significativa das condições precarizadas do Sistema Transcol.
Para se alterar esse quadro de deficiências na Mobilidade Urbana da Grande Vitória, é imperiosa a mudança de uma gestão da Ceturb/ES e Semobi/ES que entenda que o deslocamento de pessoas precisa e deve ser planejado a curto, médio e longo prazos.
A solução é o debate urgente sobre uma Mobilidade Urbana e Humana. Além de discutir e implantar um novo modelo de financiamento extra tarifário para o sistema que retire do usuário o peso maior de seu custeio e o divida com outros setores sociais e econômicos. Esse é um debate complexo, mas inevitável e inadiável. Um Novo Transcol passa por uma Nova Mobilidade!

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Artigo por José Roberto Gomes
Técnico em Transporte da Ceturb e diretor de Comunicação do Sindipúblicos.
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