

O Espírito Santo ocupa a primeira posição em gestão pública no país e foi o estado que mais avançou na economia entre 2023 e 2025, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados – Eleições 2026, divulgado nesta quarta-feira, 6, pelo Centro de Liderança Pública (CLP).
Na dimensão Gestão Pública, o CLP avaliou eficiência da máquina pública e solidez fiscal. Na Economia, considerou capital humano, infraestrutura, inovação e potencial de mercado.
O estudo destaca a liderança capixaba na dimensão Gestão Pública, pela consistência fiscal e eficiência administrativa, e na dimensão Economia, pelo ritmo de crescimento e resultados estruturais. Para o governador Ricardo Ferraço, o resultado reflete o planejamento e equilíbrio fiscal. “Saímos da terceira posição em 2023 para a liderança. Esse desempenho reafirma que o modelo capixaba de gestão é sólido e entrega resultados concretos”, afirmou.
O secretário da Fazenda, Benicio Costa, atribui o desempenho à disciplina fiscal e à solidez das contas públicas. “O equilíbrio cria condições para atrair investimentos, gerar empregos e ampliar oportunidades.”
Mesmo com o avanço na economia, os números de investimento em pessoal revelam um contrassenso. O Espírito Santo aparece como o estado que menos investe no próprio quadro de servidores. De acordo com o Portal do Tribunal de Contas do Estado do ES (TCE-ES), em março de 2026 apenas 35,39% da receita foi aplicada nos servidores, bem abaixo do limite prudencial de 44,1% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. O índice também ficou abaixo dos 38,29% registrados em 2023 e dos 35,41% de 2025, período considerado pelo CLP na análise. Ou seja, enquanto a arrecadação cresceu, o investimento em pessoal caiu. A receita saltou de R$ 25,90 bilhões em 2023 para R$ 31,90 bilhões em 2025, com previsão de R$ 32,3 bilhões em 2026, mas o percentual destinado aos servidores recuou de 38,29% para 35,39%.
Para o Sindipúblicos, os números positivos só foram possíveis pelo trabalho dos servidores, que sustentam o serviço público mesmo após anos de defasagem salarial. A categoria amargou reajustes abaixo da inflação e períodos de congelamento, o que gerou perdas acumuladas e salários abaixo do mercado.
O sindicato reforça que os indicadores de gestão mostram capacidade do Estado para avançar na pauta da categoria. A campanha salarial 2026/27 inclui os pontos de pauta:
“Esse avanço econômico e fiscal precisa se reverter em valorização dos servidores. É urgente garantir a devida reposição das perdas acumuladas e o reconhecimento de quem mantém o Estado funcionando. Esses dados demonstram que temos servidores de excelência, que mesmo com remunerações aquém do merecido, dão o seu melhor para garantir serviços públicos de qualidade e garantir um Estado sólido e em constante desenvolvimento. Podemos avançar ainda mais, com uma valorização real dos servidores, retendo assim talentos que muitas vezes têm migrado para outros entes ou para a iniciativa privada”, comenta Renata Setúbal, presidenta do Sindipúblicos.
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Texto: Douglas Dantas Foto: Montagem / Foto Hélio Filho/Secom