

NOTA DE REPÚDIO
“Servidor ganha até 5 vezes mais que trabalhador”
A Gazeta 09/02/2014
O Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Estado do Espírito Santo – Sindipúblicos – vem a público se manifestar veementemente contra a matéria de capa do jornal A Gazeta, edição de domingo (09/02) intitulada “Servidor ganha até 5 vezes mais que trabalhador”.
A reportagem revela total desconhecimento sobre o funcionalismo público estadual. Os comparativos de valores salarias entre os profissionais públicos e privados, são irreais ao confrontar salários inicias da iniciativa privada com os de final de carreira do Poder Executivo. Por exemplo, na tabela de subsídio do governo estadual o salário inicial para nível médio é de R$ 1.513,20. Já na tabela salarial de vencimentos o inicial é de míseros R$ 400,94, valores que evoluem de acordo com tempo de serviço, somadas as vantagens pessoais. Lamentável que o jornal, se baseando apenas em situações pontuais em outros poderes, generalize para a opinião pública que servidor público ganhe acima da média de mercado.
Ao generalizar os dados, o jornal parece desconhecer o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, aprovado inclusive em terras capixabas em agosto de 2007 em Vitória, onde no Art.1º determina “I – a divulgação da informação PRECISA E CORRETA (grigo nosso) é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente de sua natureza jurídica – se pública, estatal ou privada – e da linha política de seus proprietários e/ou diretores; II – a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela VERACIDADE dos fatos e ter por finalidade o interesse público.” E esquece também do terceiro preceito “3. Apurar e publicar a VERDADE (grifo nosso) dos fatos de interesse público, não admitindo que sobre eles prevaleçam quaisquer interesses.” do Código de Ética e Autorregulamentação dos jornais afiliados à ANJ – Associação Nacional de Jornais, do qual A Gazeta é associada.
Lamentável que A Gazeta se refira depreciativamente à estabilidade, desconhecendo que este preceito constitucional diz respeito ao serviço público e não ao cargo e visa proteger a administração do fisiologismo e do empreguismo na máquina pública, o que não significa que o servidor descompromissado não possa, e deve, ser demitido, seguindo as normas estabelecidas em lei.
Por outro lado, cabe ressaltar que servidor público não tem Fundo de Garantia, nossos salários há anos são reajustados muito aquém da inflação e dos demais profissionais da iniciativa privada; estamos desde 1997 sem reajuste no valor do nosso auxílio-alimentação, atualmente em R$ 132,00; não temos direito à auxílio-creche, bem como temos negados diversos outros direitos concedidos na iniciativa privada.
A reportagem ainda desconsidera que os servidores são trabalhadores e trabalhadoras que mesmo com falta de recursos físicos, estruturas precárias, desempenham suas funções servindo a sociedade nas diversas áreas como segurança, saúde, educação dentre outras políticas públicas que, só não são de melhor qualidade, em razão do descaso dos nossos governos.
O Sindipúblicos, como defensor de políticas públicas de qualidade, espera que esse meio de comunicação possa se redimir de seu grave equívoco, mas não divulgando nota ou pedidos de desculpa, mas se pautando realmente pela ética profissional e cobrando efetivamente dos nossos governantes, que se cumpram a legislação vigente, que garante direitos aos servidores, garantindo assim, serviços públicos de qualidade à todo o cidadão.
Vitória/ES, 10 de fevereiro de 2014.
Diretoria do Sindipúblicos