

Dieese-ES explica importância da redução para dinamizar a economia e inclusive os serviços públicos
As centrais sindicais, movimentos sociais e demais entidades estão realizando mobilizações em todo país cobrando a redução da taxa de juros (Selic) praticada pelo Banco Central, comandado por Campos Neto, aliado de Bolsonaro.
O novo valor da Selic está previsto para ser anunciado ainda nesta quarta-feira, após reunião do Copom. A pressão é para o Banco Central reduzir a taxa, fixada atualmente em 13,75%, a mais alta do mundo e contradiz com o atual cenário econômico brasileiro, onde a inflação IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) caiu para 0,23% em maio.
Dieese explica
Buscamos Sandra Bortolon, economista, representante do Dieese no Espírito Santo, para avaliar a importância da redução da taxa Selic para o mercado local e os serviços públicos.
“A taxa de juros é o custo do dinheiro, quanto o dinheiro vale. A função dela é um grande instrumento de controle da inflação, principalmente no Brasil que temos um descontrole dos preços. Mas a taxa de juros alta só faz sentido quando temos inflação de demanda, as pessoas com muito dinheiro para comprar e pressionando os preços dos produtos, o que não existe atualmente. Pelo contrário, a curva de rendimento das famílias está baixa devido ao recuo do rendimento nos últimos quatro anos. O reflexo é, quando aumenta a taxa de juros, retira o poder das pessoas de fazer investimentos, empréstimos, créditos, dinamizar a economia”.
Sandra ainda lembra que, “a taxa de juros alta, por consequência, você tendo uma economia estagnada, você influencia na arrecadação. E isso tem um reflexo quando se trata de serviços públicos.”
Mas então por que a taxa se mantém alta? “Uma fatia do orçamento público é destinada para remunerar as taxas financeiras dos títulos públicos, remunera os investidores do mercado financeiro, a famosa dívida pública. Com a taxa alta, os credores do governo ganham mais” explica Sandra.
Enquanto remunera em demasia os credores, prejudica a sociedade. “A taxa de juros deveria ficar no patamar onde promovesse de fato o crescimento econômico. Por mais que o governo altere várias questões macroeconômicas, se não tivermos uma taxa de juros razoável, para incentivar o crescimento econômico, fica muito difícil. Por isso, a mobilização das centrais é muito importante. Para o governo ter controle também sobre a taxa de juros, que está apenas sobre a governança do Banco Central.”
Manifestações
Durante uma das manifestações, realizada nesta terça-feira (20) em frente à sede do Banco Central no Rio de Janeiro, o presidente da Federação Livre de Telecomunicações, Luiz Antônio Silva, apontou porque Campos Neto atua contra o crescimento econômico.
“Campos Neto é de uma família de economistas que sempre atuou em nome do grande capital, apoiou a ditadura e se aliou a Bolsonaro. Ele foi colocado no Banco Central por Bolsonaro e segue atendendo a esses interesses. Precisamos que ele saia para o Brasil voltar a crescer”, avaliou.
Em Brasília, durante o ato em frente à sede do Banco Central, o presidente da CUT, Sérgio Nobre, foi enfático: “Se não baixar a taxa de juros, já temos uma audiência marcada com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. O Senado pode afastar Campos Neto do cargo e, na nossa visão, há motivo para isso, porque o presidente do BC está sabotando o crescimento do país”, afirma Sérgio Nobre.
“A visão dele de Brasil foi derrotada nas urnas, em 2022; Campos Neto é um bolsonarista e deveria entregar o cargo”, complementa o presidente nacional da CUT ao garantir: “Não vamos sair das ruas enquanto esse camarada estiver à frente do Banco Central”.
Porque a taxa de juros alta prejudica o Brasil
1 – Aumentam as dívidas dos brasileiros
Quanto mais alta a taxa, maiores os juros e mais caro o crédito para financiamentos, empréstimos, cartão de crédito e prestações da casa própria.
2 – Renegociações impraticáveis
Em muitos casos, apenas os juros cobrados podem chegar a mais de 50% do valor do bem comprado ou do valor renegociado, o que impossibilita a negociação.
3 – Desemprego
Com juros altos, o consumidor deixa de comprar, as empresas de vender, a produção cai e o desemprego cresce.
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Matéria em Resumo
Taxa de Juros (Selic) está há 13,75%, a mais alta do mundo;
Especialistas avaliam que, com a redução da inflação, a taxa deveria também ser reduzida para dinamizar a economia;
Manifestações em várias cidades do país cobram redução da Selic;
CUT denuncia política do presidente bolsonarista do Banco Central, Campos Neto, para prejudicar a sociedade
Com informações de CUT, e IBGE.
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