

Na última sexta-feira, 25 de julho, o bairro de Laranjeiras, em Serra, foi cenário de uma mobilização histórica: a Marcha de Mulheres Negras, que reuniu dezenas de participantes em defesa da igualdade racial, da diversidade e da valorização das vozes negras na sociedade. O ato, marcado por falas contundentes e gestos simbólicos, reforçou o protagonismo feminino negro na construção de um país mais justo.

O Sindipúblicos foi representado pela diretora Edismar Ribeiro, cuja trajetória de resistência somou força à mobilização. “Foi emocionante estar ao lado de tantas mulheres que carregam em suas histórias o peso da exclusão, mas também a força da reconstrução. Marchamos não só por nós, mas por todas que vieram antes e por aquelas que virão depois”, destacou Edismar, emocionada com o impacto do ato na comunidade.
Reivindicações
Durante o percurso, as participantes se revezaram ao microfone, compartilhando experiências e demandas, como a ampliação de políticas públicas específicas para mulheres negras e o combate ao feminicídio com atuação do poder público e penas mais rígidas. A resposta da comunidade foi imediata: comerciantes e moradores aplaudiram e se juntaram à marcha, demonstrando apoio e reconhecimento à causa.
Em momentos marcantes, críticas à falta de representatividade se tornaram visíveis, como a ausência de manequins negros nas vitrines locais. “Tinha um manequim branco, quando observamos uma menina negra, observando a manifestação do lado do manequim branco” isso chamou muita atenção da falta de representatividade da negritude no comércio, comentou Edismar.
Ao final da marcha, as mulheres negras se reuniram na praça do bairro para ouvir lideranças quilombolas, representantes comunitários e organizações urbanas que reforçaram a importância da união entre movimentos sociais na luta por equidade e reconhecimento.
No sábado, a mobilização seguiu com um encontro no centro comunitário, onde foram consolidadas pautas de reivindicação a serem levadas à esfera nacional. O evento, que ocorreu das 8h às 17h, contou com infraestrutura completa — café da manhã, almoço e lanche da tarde — e foi dedicado ao diálogo coletivo e à formulação de propostas que serão apresentadas em Brasília.
25 de julho: Um marco continental de resistência
Celebrado como o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, 25 de julho é uma data instituída em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas. No Brasil, é também o Dia Estadual Tereza de Benguela, em homenagem à líder quilombola que enfrentou o regime escravagista com coragem e organização.
Esse dia reforça não apenas a memória ancestral das mulheres negras, mas também sua força na articulação política contemporânea. Segundo o estudo “Diversidade, Representatividade e Percepção” da Gestão Kairós, mulheres negras representam 29% da população brasileira, mas ocupam apenas 3% dos cargos de liderança — dado que escancara a urgência da luta por equidade.
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Texto Douglas Dantas Foto: Divulgação