
Os inúmeros casos de corrupção envolvendo o presidente Michel Temer e toda cúpula de seu governo, faz com que a maioria da população, 63%, defendam a convocação imediata de eleições diretas e 90% dos brasileiros reprovem seu governo.
A situação poderá se complicar ainda mais após a delação da Odebrecht ter citado praticamente Temer e toda cúpula de seu governo, o que se soma aos casos de corrupção que fizeram, em seis meses, sete de seus ministros terem sido afastados.
Os dados são da pesquisa do instituto Datafolha, divulgada no último final de semana. Segundo a pesquisa, 51% dos entrevistados consideram o governo do peemedebista ruim ou péssimo, se somados aos que consideram regular 34% e os 5% que não quiseram responder, nota-se que 90% não aprovam o atual governo do peemedebista.
A reprovação do governo passa também pela imposição de Temer de uma reforma da Previdência, essa apoiada por seus aliados, como por exemplo, os senadores capixabas, Magno Malta, Ricardo Ferraço e Rose de Freitas que também já aprovararam, em primeiro turno, a PEC do Teto. Nota-se que a população não aceita o frágil discurso de falência do estado, entendendo que a culpa da situação econômica é devido má-gestão, da corrupção dos governos federal e estaduais, do pagamento sem controle de juros da dívida pública, além dos altos privilégios de uma parcela de políticos, magistrados, membros dos Ministérios Públicos e Tribunais de Contas que consomem boa parte da arrecadação que deveria ser investida na população.
Em contrapartida à reprovação do governo Temer, que não atende à população, 63% dos brasileiros defendem a imediata renúncia do presidente ainda neste ano e a convocação de eleições diretas para a presidência da República. No entanto, para que a população vá às urnas e escolha um novo presidente para o mandato-tampão, seria necessário que Temer deixasse o cargo até 31 de dezembro.
A pesquisa aponta também o crescimento do pessimismo sobre o futuro da economia brasileira. Para 41% dos entrevistados a situação econômica do país deve se deteriorar num futuro próximo e, para 66% dos ouvidos, a inflação deve aumentar.
O desemprego também preocupa e 67% acreditam que o índice deve piorar. A avaliação de Temer também é negativa quando comparada ao governo anterior, de Dilma Rouseff (PT). Para 74% dos entrevistados, a atual gestão é igual ou até pior do que a anterior.
O Sindipúblicos avalia que após um governo chegar ao poder de forma indireta e após o processo de impeachment, seria necessária a convocação de novas eleições gerais e diretas. Entende ainda que é preciso que se altere a legislação garantindo que em caso de impeachment e vacância, que novas eleições sejam sempre convocadas num prazo de seis meses para garantir a real vontade da população, visto que a maioria das vezes não há nenhum tipo de discussão de propostas e conhecimento das ideologias e projeto de governo dos vices.
Eleições Diretas
Tramita na Câmara dos Deputados emenda de autoria do deputado federal Miro Teixeira (Rede-RJ) que estabelece eleição indireta só quando a vacância do cargo se der nos seis últimos meses finais do mandato – e não nós dois últimos anos, como é atualmente.
A emenda, que já possui parecer favorável do seu relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), poderá ser uma solução para a realização de eleições direitas numa eventual deposição de Michel Temer após janeiro de 2017.
O projeto, no entanto, está parado na comissão, apesar do parecer favorável do relator, Esperidião Amin (PP-SC). O presidente da CCJ, deputado governista Osmar Serraglio (PMDB-PR), diz que não acha oportuno colocar a proposta para andar.
Em sua coluna da última segunda-feira, 5/12, a jornalista Vera Magalhães observa que, ” o movimento para que seja votada uma Proposta de Emenda à Constituição estabelecendo eleições diretas em 2017 ganha adesões até na base aliada de Temer. Senadores começam a ver sinais de que o peemedebista não conseguirá concluir o mandato e avaliam que, nesse caso, a sociedade não aceitará eleições indiretas, como prevê a Constituição”, escreve a colunista.
Datafolha; Metro Jornal; G1