No entanto, nos últimos anos vivenciam um achatamento salarial, chegando a algumas categorias como aposentados a terem perdas consideráveis, de até 14,38%, entre 2020 e 2024.
São servidores que recebem por vezes pouco mais de um salário-mínimo, afetando drasticamente a qualidade de vida e prejudicando a economia de todo o Estado ao inibir que os mesmos realizem suas compras dos mais diversos produtos e serviços para sua subsistência, atentando drasticamente sua qualidade de vida.
Por tudo isso, os servidores têm reforçado sua atuação na sensibilização da sociedade e do governo estadual para garantir a reposição dessas perdas acumuladas, retomando o poder de compra, beneficiando diretamente a qualidade de vida de milhares de famílias, dinamizando e fortalecendo a economia capixaba.
Baixo investimento
O Espírito Santo em 2023 foi um dos estados que menos investiu percentualmente em seus servidores, não chegando sequer a 39% de suas receitas, bem abaixo dos demais estados e longe do limite prudencial que determina a Lei de Responsabilidade Fiscal: mínimo de 41% e máximo de 49%.
Enquanto os servidores têm atuado para levar serviço de qualidade à população e trazer receitas nas mais diversas frentes deixando o Estado com superavit em 2023, garantido mais uma vez Nota A no Tesouro Nacional, os servidores recebem em troca uma política de achatamento salarial.
Segundo dados do Instituto Jones Santos Neves (IJSN) “em valores acumulados, o PIB totalizou R$ 230,2 bilhões em 2023, o maior valor da série histórica”.
Conforme levantamento realizado pelos próprios servidores do Tesouro e da Receita estaduais, apontam margem segura para o governo conceder o pleito, visto superávit e economia estável. No entanto, mais uma vez o governo estadual, sem apresentar nenhum dado concreto, concedeu apenas 4,5%, bem abaixo dos 14,38% de perdas acumuladas e até mesmo abaixo do índice da inflação do último período sem reajuste.
A concessão de um reajuste de 6,7%, equiparando ao recebido pelo governador, teria um impacto de apenas R$ 126 milhões em 2024 em despesas líquidas com pessoal.
A concessão dos 6,7% também manteria o Espírito Santo no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal, atingindo apenas 41% de sua receita com folha de pessoal, sendo que o limite de alerta é 44% e o máximo de 49%. Ou seja, bem abaixo.
Esse valor recebido pelos servidores é praticamente irrisório diante dos bilhões arrecadados pelo Estado, mas faz uma grande diferença no orçamento de cada um dos servidores e iria diretamente para a economia local, dinamizando e fortalecendo serviço e comércios, gerando emprego e renda e ainda retomando para o próprio caixa do Estado por meio de impostos.
Defendemos um Estado com responsabilidade fiscal, mas que tenha também responsabilidade social. E o Espírito Santo pode ser um estado para além da Nota A no tesouro, também nota A com os servidores, falta apenas respeito e empatia do governo estadual para com seus milhares de profissionais que fazem o Estado acontecer.
*Presidente do Sindipúblicos, servidor do Incaper e analista do Executivo
Artigo publicado originalmente no site A Vírgula (avirgula.com)






