

A participação do Brasil nos Jogos Olímpicos tem sido objeto de muita discussão, tanto em termos de desempenho geral quanto no número de participantes. Isso reflete diretamente a falta de investimento nos esportes olímpicos no país nos últimos anos.
Nossa delegação ocupa a 12ª posição em número de esportistas, com 277 atletas, bem atrás dos Estados Unidos, que têm 630 atletas, e da França, com 608. Esse número poderia ser significativamente maior se os governos anteriores, de Michel Temer e Jair Bolsonaro, tivessem ampliado os investimentos nos esportes. No entanto, o programa Bolsa Atleta, que é um incentivo do governo federal, permaneceu congelado por anos e só agora, em julho, teve seu valor reajustado em 10,86%. Em 2018, o presidente Michel Temer cortou 87% do orçamento destinado ao esporte, alocando apenas R$ 70 milhões para bolsas de atletas. Em 2020, sob o governo de Jair Bolsonaro, o auxílio aos esportistas não foi pago. Entre 2017 e 2021, houve uma queda de 17% no investimento total do Bolsa Atleta.
O Sindipúblicos defende que os governos estadual e federal ampliem e universalizem programas de incentivo aos esportes, como o Bolsa Atleta. “Buscar novos talentos e oferecer oportunidades são fundamentais para desenvolvermos esportistas. Além da saúde e bem-estar, devemos lembrar que o esporte contribui diretamente para a redução da violência e para a inserção de jovens no mercado de trabalho. Investir nos esportes traz melhorias em todos os aspectos da sociedade, incluindo a geração de renda em torno da cadeia esportiva. Precisamos que nosso governo amplie e valorize cada vez mais os esportes nas comunidades”, comenta Emmanuelle de Oliveira, graduanda em educação física e diretora do Sindipúblicos.
Bolsa Atleta
Criado em 2004, no primeiro mandato do presidente Lula, o Bolsa Atleta atualmente beneficia 241 dos 277 atletas que estão nas Olimpíadas. Durante o governo Lula, houve um recorde de investimentos. Em 2023, o Bolsa Atleta investiu R$ 121 milhões em atletas de modalidades olímpicas e paralímpicas, concedendo um recorde de 8.292 bolsas. Em 2024, o número de atletas contemplados superou os 9 mil, com um investimento que ultrapassa R$ 160 milhões.
Das 39 modalidades disputadas nos Jogos de Paris, 27 são representadas 100% por atletas que recebem o patrocínio do governo federal. Segundo o Ministério dos Esportes, 98% dos representantes nacionais já tiveram suporte do programa em algum momento de suas carreiras.
O Bolsa Atleta é repassado diretamente ao competidor sem intermediários. Para ser contemplado, o atleta precisa atender aos critérios estabelecidos na legislação vigente e aos requisitos elencados nos editais publicados anualmente.
Há seis tipos de bolsa, que podem chegar a R$ 15 mil mensais: atleta de base (R$ 370), estudantil (R$ 370), nacional (R$ 925), internacional (R$ 1.850), olímpico/paralímpico (R$ 3.100) e pódio (R$ 5 mil a R$ 15 mil). Com o reajuste anunciado por Lula, os valores da Bolsa Pódio, que serão pagos a partir deste mês, variam de R$ 5.500 a R$ 16.600. As demais categorias também foram beneficiadas com o reajuste.
Espírito Santo
Onze atletas capixabas estão representando o Brasil em sete modalidades: atletismo, basquete, handebol, handebol de areia, ginástica rítmica, taekwondo e vôlei de praia. Todos eles recebem apoio do governo estadual por meio de programas voltados ao alto rendimento, como o Bolsa Atleta e o Voe Atleta, ou de iniciação, como o Campeões de Futuro e os Jogos Escolares, além de homenagens na Calçada da Fama da Sesport.
A ampliação desses incentivos no Espírito Santo depende da valorização dos diversos servidores públicos que atuam diretamente ou indiretamente na formação de atletas, seja via Sesport ou Sedu, além da realização de concursos públicos para profissionais necessários ao suporte e desenvolvimento dos atletas.
Esportistas
A judoca Rafaela Silva, campeã mundial, recebe o auxílio há 15 anos. “É muito importante para uma atleta de alto rendimento ter segurança e tranquilidade para se preparar e se dedicar ao seu sonho, que no meu caso é treinar judô. Com o Bolsa Atleta e o Bolsa Pódio, posso ajudar minha família e investir no meu material de trabalho”, afirma Rafaela.
Jade Barbosa, medalhista de bronze nos Jogos de Paris na ginástica artística por equipe, também é beneficiária do Bolsa Atleta. “É um projeto essencial que entende a necessidade e a demanda de cada atleta. Não só muda a vida do atleta, que pode focar no desenvolvimento de sua carreira, mas também da família”, comenta Jade.
Nossa torcida está com a equipe olímpica brasileira, e defendemos que o esporte seja cada vez mais valorizado como uma política pública universal que atenda aos anseios da sociedade.
Com informações da CUT, Agência Brasil, Sesport-ES e Ministério dos Esportes
Foto: Divulgação/COB