Grito dos excluídos une a luta pela Terra, Paz e Moradia à voz das mulheres vivas e com soberania

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Além do lema deste ano, mobilização reforça a luta permanente por “Vida em Primeiro Lugar!”

O Grito dos Excluídos e das Excluídas volta a ocupar as ruas de todo o Brasil no dia 7 de setembro, data em que o movimento tradicionalmente contrapõe ao desfile oficial da Independência um chamado à cidadania ativa e à luta por direitos. Em 2026, ano de eleições gerais, a mobilização assume o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, reafirmando também a bandeira histórica erguida desde a primeira edição, em 1995: “Vida em Primeiro Lugar!”.

Tema esse que remete ao fim da escala 6×1 que inibe a convivência familiar diante do desgaste da escala que sobrepõe o trabalho à cidadania. 

O tema dialoga com a Campanha da Fraternidade 2026 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e com a conjuntura política, social e econômica nacional e internacional, além de expressar a agenda dos movimentos populares que integram a coordenação nacional do Grito. Neste ano, o movimento dá visibilidade aos rostos e situações em que a vida está mais ameaçada — e traz um eco feminino contundente diante do aumento da violência de gênero no país: somente em 2025, mais de 1.500 mulheres foram assassinadas no Brasil.

O Sindipúblicos, entidade historicamente atuante no Grito, reforça o chamado à participação.

“Erguer a voz no Grito dos Excluídos é defender a soberania do nosso povo sobre suas próprias riquezas, sobre a terra, a água e os serviços públicos que garantem dignidade. Não existe soberania de fato sem justiça social: é preciso dividir de forma justa os bens deste país, incluindo quem historicamente foi excluído e excluída — e isso passa, com urgência, por dizer basta à violência que mata nossas mulheres. Convidamos nossos companheiros e companheiras à estarem nas ruas neste 7 de setembro porque sabemos que serviço público forte é o que sustenta os direitos de quem mais precisa, e porque não haverá país soberano enquanto houver mulheres sendo assassinadas todos os dias no Brasil”, afirma Renata Setúbal, presidenta do Sindipúblicos.

Espírito Santo

Em Vitória, a concentração está marcada para às 8h no Parque do Portal do Príncipe, em frente à Rodoviária da Capital. Depois da abertura da manifestação, os participantes seguem em caminhada até o Palácio Anchieta, sede do governo estadual.

Lema coletivo

A escolha do lema de cada edição é resultado de debates realizados ao longo do ano em todo o país, por meio da rede de articuladores e articuladoras do Grito. Em 2026, já foram realizados três encontros nacionais on-line entre esses articuladores, para troca de experiências e balanço do processo em cada estado. 

História

O Grito dos Excluídos e Excluídas nasceu em 1994, no processo da 2ª Semana Social Brasileira promovida pela CNBB, sob o tema “Brasil, alternativas e protagonistas”, em diálogo com a Campanha da Fraternidade de 1995, cujo lema era “A fraternidade e os excluídos”. A primeira edição do Grito ocorreu em 7 de setembro de 1995, com o lema “A vida em primeiro lugar”.

A escolha da data não é casual: fazer, no Dia da Independência, um contraponto ao desfile oficial e propor uma reflexão sobre soberania nacional — eixo permanente das mobilizações do Grito — a partir da superação de um patriotismo passivo em direção a uma cidadania ativa, participativa e comprometida com a construção de uma sociedade mais justa, solidária, plural e fraterna.

A partir de 1996, o Grito passou a ser assumido oficialmente pela CNBB, que o incorporou ao Projeto Rumo ao Novo Milênio. Desde então, se consolidou como um processo de construção coletiva permanente — mais do que um evento de um único dia, uma manifestação popular ecumênica, enraizada nas lutas cotidianas por direitos, que reúne pessoas, entidades, sindicatos, igrejas e movimentos sociais em torno da causa dos excluídos.

Atualmente integram a Coordenação Nacional do Grito: Cáritas Brasileira, Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Central dos Movimentos Populares (CMP), Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Juventude Operária Católica (JOC), Jubileu Sul Brasil (JSB), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra (MST), Pastoral Afro-Brasileira (PAB), Pastoral Carcerária (PCr), Pastoral da Juventude (PJ), Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM), Pastoral Operária Nacional (PO), Pastoral do Povo de Rua (PPR), Rede Rua (RR), Romaria dos Trabalhadores e das Trabalhadoras (RT) e Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM).

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Texto: Douglas Dantas Foto: Divulgação