

Apesar da previsão de crescimento de 8,5% na receita estadual para 2026, o funcionalismo público do Espírito Santo continua enfrentando uma defasagem salarial superior a 50%, o que tem provocado uma evasão preocupante de até 40% em algumas carreiras. A saída de profissionais concursados compromete diretamente a continuidade de políticas públicas essenciais.
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) apresentado pelo governo estadual nesta segunda-feira (29) prevê uma receita de R$ 32 bilhões para o próximo ano, com destaque para investimentos em infraestrutura, segurança e educação.
Atualmente, apenas 35,3% da arrecadação é destinada ao funcionalismo do Executivo — abaixo do mínimo de 44,1% previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Para o Sindipúblicos, há espaço orçamentário suficiente para corrigir essa distorção e valorizar os servidores que sustentam a máquina pública.
A proposta de reestruturação das carreiras da ativa, elaborada pelo sindicato, aguarda há meses o aval do governo. O impacto financeiro estimado é de apenas 1,1% na folha de pagamento, mas pode recuperar até 30% das perdas salariais acumuladas.
Diante da ausência de medidas concretas, os servidores aprovaram indicativo de greve em Assembleia Geral Unificada realizada no último dia 17 de setembro. Uma nova assembleia está marcada para esta quarta-feira (1º), às 9h30, na quadra do Sindibancários, onde será deliberada uma greve geral.
Após anúncio sobre a deliberação de Greve, a assessoria do vice-governador Ricardo Ferraço confirmou uma reunião desse com a diretoria do Sindipúblicos para a próxima segunda-feira (6), às 9h, com foco na reestruturação das carreiras. O encontro ocorre em meio à forte mobilização da categoria, que exige respostas efetivas.
Renata Setúbal, presidenta do Sindipúblicos, reforça que o sindicato permanece aberto ao diálogo, mas cobra ações concretas. “Não será uma reunião que irá desmobilizar nossa greve. Precisamos de uma proposta efetiva. Já estamos cansados de promessas. Enquanto isso, nossos salários se corroem com a falta de valorização”, afirmou.
Cenário Econômico
Com arrecadação já superior a R$ 14 bilhões em 2025 e previsão de ultrapassar os R$ 29 bilhões até o fim do ano, o Espírito Santo apresenta um cenário de estabilidade fiscal. O Fundo Soberano, que soma R$ 2 bilhões, pode ser utilizado para investimentos e liberar margem na receita corrente líquida para a valorização dos servidores.
A campanha salarial de 2025 segue mobilizando servidores em todo o estado. O Sindipúblicos faz um apelo ao governador Renato Casagrande: é hora de cumprir o compromisso com quem ajudou o Espírito Santo a conquistar o selo de “Nota A” em gestão fiscal. Sem valorização, o Estado corre o risco de perder ainda mais profissionais qualificados e comprometer a qualidade dos serviços públicos oferecidos à população.
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Texto: Douglas Dantas Foto: Divulgação