GazetaOnLine e advogada são condenados à retratação pública contra servidor

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Após publicação de denúncia infundada, o portal GazetaOnLine e a advogada Giovanna Plessis Cicatelli são obrigados à fazer retratação pública de pedidos de desculpas ao servidor Marcelo Lyra, que há 23 anos atua no IPAJM, sempre honrando seus compromissos e cumprindo seus deveres para com o atendimento aos cidadãos que o buscam.

Fugindo dos padrões de um jornalismo ético e cidadão, o portal Gazeta Online divulgou em 22 de outubro de 2010 denúncia da advogada contra Marcelo Lyra, sem ouvi-lo. Com o título “Cidadã pede documento e recebe pedaço de papel com palavras escritas à mão”, a “reportagem” ilustrada por um bilhete ficou disponível no site por semanas. Sendo acessada por internautas de todo o mundo, os quais ofendiam a honra e a reputação do servidor com dezenas de comentários pejorativos sobre sua vida pessoal e profissional.

Após a publicação, Marcelo buscou imediatamente o Sindipúblicos que ante a agressão a honra e moral dele, por meio do Departamento Jurídico, propôs Ação de Reparação de Danos Morais, em face da advogada e do site, que após tramitação, culminou na homologação de acordo firmado entre as partes, no qual a advogada se retratou com o servidor, reconhecendo que a veiculação da notícia causou prejuízo a ele, pedindo-lhe desculpas públicas, sendo que tal retração foi veiculada no mesmo site e pelo mesmo tempo, encerrando-se, assim, o processo. “Destaco a atuação do Jurídico do Sindipúblicos neste caso. Sempre confiei na atuação dos advogados do sindicato”, reforça Marcelo Lyra.

O mais estranho é o jornal não ter buscado a versão do servidor, do IPAJM e checado a veracidade da denúncia. “A atitude do Gazeta Online em divulgar o bilhete sem consultar a outra parte, é lamentável. O bilhete era apenas um esclarecimento informal dado a uma pergunta feita pela cliente da advogada. É compreensivo a atitude do jornal, vez que trata-se de um veículo de comunicação que habitualmente protege os malfeitores da sociedade não divulgando os seus crimes, a exemplo do que ocorre com os alguns políticos corruptos denunciados pela mídia alternativa e que jamais foram denunciados pela Rede Gazeta. No entanto, não se incomodam em ferir a imagem de um cidadão de bem, tentando emplacar que todo servidor público é preguiçoso e presta péssimos serviços” desabafa Marcelo Lyra.

Para o Sindicato dos Jornalistas no Espírito Santo “é muito grave divulgar uma denúncia sem ouvir todos os lados envolvidos. Esse foi o erro do emblemático caso Escola Base*, e não queremos que casos como este se repitam, como vêm acontecendo até com certa frequência no nosso Estado e também no país. O papel da imprensa é o de fiscalizador dos poderes constituídos e de mediação junto à sociedade, mas todo o trabalho da imprensa tem de ser feito com responsabilidade e ética”, destaca o diretor da Fenaj e do Sindjjornalistas/ES Douglas Dantas.

* Em março de 1994, a imprensa publicou reportagens sobre seis pessoas que estariam envolvidas no abuso sexual de crianças, alunas da Escola Base, localizada no Bairro da Aclimação, em São Paulo. Jornais, revistas, emissoras de rádio e de tevê basearam-se em fontes oficiais – polícia e laudos médicos – e em depoimentos de pais de alunos. Tratava-se de um erro. Quando foi descoberto, a escola já havia sido depredada, os donos estavam falidos e eram ameaçados de morte em telefonemas anônimos.