Faltam políticas pensadas para as mulheres servidoras, alertam diretoras do Sindipúblicos

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As diretoras sindicais Emmanuelle Pena, Magna Nery, Silvia Sardenberg e Renata Setubal Lourenço, discutiram os principais obstáculos e desafios encontrados em sua experiência e no contato com outras colegas como servidoras públicas do Espírito Santo. A trajetória profissional no serviço público ainda é marcada por violências e desigualdades, como evidenciam os relatos das diretoras sobre suas experiências no ambiente de trabalho e com colegas servidoras estaduais.

Para a Diretora de Assuntos Jurídicos Renata Setúbal, essas condições se reproduzem na trajetória profissional das trabalhadoras como evidência da falta de políticas públicas pensando nas mulheres.

 “As políticas desenvolvidas pelos Recursos Humanos são pensadas para homens, porque senão estariam sensíveis a questão da maternidade, a própria questão do ciclo menstrual, por exemplo, eu trabalho de técnica agrícola no campo, ficava seis horas sem ter acesso a um banheiro em uma roça. Isso também é uma coisa que te impede de trabalhar”, reflete Renata Setubal.

Renata Setúbal – Diretora de Assuntos Jurídicos

O acesso das mulheres aos espaços de produção das legislações é um desafio destacado pela diretora da Secretaria Geral, Silvia Sardenberg:

“A grande dificuldade é que essa legislação, não só para servidor público, várias outras que envolvem a vida do trabalho não pensam na mulher como a principal provedora do serviço de continuidade da espécie. A legislação é como se separasse a mulher mãe e a mulher trabalhadora, quando na verdade é uma só sendo sobrecarregada”, completa Silvia.

Avanços e Desafios para a igualdade de gênero

A situação das mulheres tem passado por modificações importantes, derivadas sobretudo de fenômenos estruturais como a modificação das bases do modelo produtivo capitalista, com a passagem da centralidade da atividade mercantil para a atividade industrial, e a incorporação das mulheres nos postos de trabalho.

Magna Nery – Diretora de Finanças

“Nossas vitórias têm sido o aumento da presença de mulheres nas posições de destaque”, analisa a Diretora de Administração e Patrimônio do Sindipúblicos Emmanuelle Pena de Oliveira. No entanto, as servidoras concordam que ainda há sub-representação feminina nos postos de liderança, como ressalta a Diretora de Finanças do Sindipúblicos Magna Nery Manoeli.

A maioria dos cargos de chefia ainda são dos homens e transformar isso passa por mudar as condições políticas, porque a educação que foi passada não informava da importância de votar em mulheres para defender nossos direitos. Isso se reflete no nosso estado nos casos de machismo e assédio contra mulheres que conquistaram um lugar dentro da política, mas são perseguidas rotineiramente pelos colegas homens”, analisa Magna. 

Além do ingresso das mulheres no mercado de trabalho, o acesso à educação formal foi outro fator que contribuiu para reforçar o senso de necessidade de superação das desigualdades de gênero que submetem a população feminina a violências nos ambientes doméstico, vida social e trabalho, onde enfrentam situações como agressão psicológica, assédios sexual e moral.

Acho que a maior conquista foi as mulheres estarem dentro do serviço público, mas isso não foi uma conquista da minha geração. Hoje não percebo avanço nem para a categoria de servidor estadual, muito menos para as servidoras porque não existe uma política pública diferenciada para as mulheres, é uma política só que não atende os anseios das mulheres servidoras públicas”, avalia Renata Setubal, Diretora de Assuntos Jurídicos do Sindipúblicos.

No interior dos sindicatos, a presença da força de trabalho feminina provoca discussões em torno da desigualdade de condições que as mulheres enfrentam tanto pela discriminação histórica a qual estão submetidas como pela falta de estruturas para reduzir o acúmulo de jornadas de trabalho com cuidados e serviços domésticos.

Emmanuelle Oliveira
Diretora Administrativo e Patrimônio

Uma conquista fruto da mobilização sindical, segundo a Diretora da Secretaria Geral Silvia Sardenberg, foi a exclusão da norma de obrigatoriedade de perícia médica após o parto para a licença maternidade.

Para o meu marido que também é servidor público do estado ter a licença paternidade bastou ele apresentar a certidão de nascimento do nosso filho no RH e eu tive que ir no IPAJM fazer a perícia”, relata Silvia.

Segundo Silvia, a posse da nova diretoria composta por quatro mulheres representa uma conquista das servidoras públicas.

Integram a diretoria executiva Emmanuelle Pena, Magna Nery, e Renata Setubal e Silvia Sardenberg ao lado das diretoras adjuntas Edismar dos Santos Ribeiro e Maria Betânia Silva Baul. Somam-se a elas os companheiros de chapa Iran Milanez Caetano, Rodolfo Simões de Melo, José Roberto Gomes, Francisco Hosquem Pires, Luiz Tupinambá, Rodrigo Ferreira, Paulo Teixeira, Marco Antônio Jacintho e Ismael dos Santos Junior.

Reivindicações

Silvia Sardenberg – Secretária Geral

O auxílio-creche é um dos pontos defendidos na pauta de reivindicações elencadas pelas diretoras do Sindipúblicos.

Desde que eu entrei no estado, em 1994, nós estamos solicitando o auxílio creche, tem todo um processo e até hoje ainda não avançamos nisso”, relata a diretora de finanças, Magna Nery Manoeli, servidora de saúde Sesa.

O aumento do número de licenças e afastamentos concedidos para as trabalhadoras para não prejudicar o ganho de comissões e na progressão das carreiras é também uma pauta importante para a construção de um sistema mais justo para as mulheres servidoras públicas, segundo as diretoras ouvidas pela reportagem.

“Um problema para a maioria das servidoras é sofrer sanção por precisar acompanhar um filho ao médico, muitos chefes não entendem esse lado, já querem cortar ponto, então se tudo isso é jogado a cargo da mulher, ela precisa da garantia de não sofrer sanção para ter qualidade de vida”, defende a diretora de administração e patrimônio do Sindipúblicos Emmanuelle Pena de Oliveira.

A ampliação da licença paternidade é defendida como uma forma de superar contradições de gênero que se acumulam em diversos aspectos da vida das mulheres.

“Se por um lado as servidoras públicas do Espírito Santo conseguem ter uma condição mais interessante, porque hoje são 180 dias de licença maternidade, por outro a licença paternidade é só de 20 dias e essa mulher depois fica totalmente desamparada se não tem uma rede de apoio com que contar. Deveria ser um período de três meses de licença para o homem porque esses primeiros três meses são realmente muito difíceis”, avalia a Diretora da Secretaria Geral Silvia Sardenberg.

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Bibliografia:
Compreender e construir novas relações de gênero

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