

A revisão do plano de manejo do Parque Estadual Paulo César Vinha (PEPCV), em Guarapari, tem gerado intensos debates entre ambientalistas, servidores públicos e representantes da sociedade civil. As principais críticas são sobre a falta de transparência e participação social no processo conduzido pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).
A preocupação se intensificou após a apresentação da proposta de zoneamento pelo Iema, em dezembro de 2023, antes mesmo da conclusão das etapas iniciais de discussão. O documento levantou questionamentos sobre possíveis impactos ambientais e suspeitas de favorecimento a interesses privados.
“Reconhecemos a necessidade de atualizar os planos de manejo de Itaúnas e do Parque Paulo César Vinha. No entanto, o que nos preocupa profundamente é o alinhamento desse processo com as discussões em torno do Peduc, que possibilita modificar os planos para atender aos seus objetivos. Isso gera apreensão, pois, na forma como está sendo formulado, o Peduc não coloca a preservação da fauna e flora como prioridade, quando esse deveria ser o eixo central de qualquer planejamento para unidades de conservação”, alerta Silvia Sardenberg, servidora do Iema e secretária-geral do Sindipúblicos.
Hugo Cavaca, ex-gerente do parque e integrante do Movimento em Defesa das Unidades de Conservação do Espírito Santo, reforça que a antecipação do zoneamento compromete a credibilidade do processo. Para ele, a proposta parece alinhada ao Programa Estadual de Desenvolvimento Sustentável das Unidades de Conservação (Peduc), que prioriza a exploração turística. “O zoneamento deve ser debatido com ampla participação da sociedade civil e das comunidades tradicionais. Do jeito que está, atende a interesses privados em vez de garantir a conservação ambiental”, critica.
Entre os pontos mais controversos do Peduc, que depende da alteração do plano de manejo, está a instalação de um estacionamento em uma área de recuperação ambiental no sul do parque. Também há previsão de projetos de infraestrutura turística, como teleféricos e tirolesas, que podem agravar a degradação do ecossistema e intensificar problemas já existentes, como queimadas, caça ilegal e extração irregular de areia.
Diante do cenário, o Conselho Gestor do parque e representantes da sociedade civil seguem mobilizados para garantir um processo de revisão mais transparente e participativo. “O turismo pode coexistir com a preservação, mas dentro de limites sustentáveis, sem comprometer os atributos ambientais da unidade”, defende Hugo Cavaca.
A próxima etapa da revisão do plano de manejo está prevista para ocorrer entre os dias 1º e 3 de abril. Ambientalistas reforçam a necessidade de estudos de impacto ambiental (EIA/Rima) antes de qualquer decisão definitiva. O Sindipúblicos mantém sua atuação permanente junto ao Movimento em Defesa das Unidades de Conservação do Espírito Santo para acompanhar e questionar as mudanças propostas.
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