

Diante a falta de diálogo do governo Hartung e Temer com a comunidade escolar e a sociedade em geral, propondo reformas que irão afetar diretamente a manutenção dos serviços públicos, em especial a saúde e a educação, estudantes de todo país estão realizando ocupações.
No Espírito Santo, a primeira unidade de ensino a ser ocupada foi o Ifes de São Mateus e na manhã desta sexta-feira, 21 de outubro, os estudantes estaduais ocuparam a escola Almirante Barroso, em Goiabeiras, Vitória.
Na quinta-feira (20), os alunos da Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Agenor Roris, em Itaparica, Vila Velha tentaram também ocupar a unidade, porém foram impedidos pela Polícia Militar. Mas com o apoio de estudantes de outras escolas, conseguiram realizar a ocupação na manhã desta sexta-feira (21).
Os estudantes de Vila Velha também foram resistentes e protestaram, em frente à escola, contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n° 241/2016, a reforma do ensino médio e outras medidas que resultam no sucateamento da educação pública, propostas pelo presidente Michel Temer, referendada pelo governo Hartung.
Ameaças
Prevendo uma onda de protestos, os diretores escolares tem recebido e-mails das superintendências regionais, em nome da SEDU-ES, pedindo para que seja redobrada a atenção com a segurança e na tentativa e/ou ocupação das unidades, que forneçam os nomes dos alunos para que o governo tome as devidas providências.
O email deixa imbutido a intenção do governo Hartung em, no lugar de dialogar com a comunidade escolar, criminalizar quem está lutando pela manutenção do direito universal, que é de um ensino de qualidade.
Os estudantes das escolas ocupadas estão precisando de comida (de preferência coisa que dá pra fazer no microondas) e material de higiene.
Movimento nacional
Um balanço da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) informa que quase mil escolas, institutos federais e universidades em todo o Brasil estão ocupadas. A Ubes repudia as declarações do ministro Mendonça Filho, que no lugar do diálogo, prefere ameaçar e perseguir estudantes nas ocupações. Mendonça Filho exige que a desocupação das escolas aconteça até o dia 31 de outubro. Caso os estudantes não recuem, a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) poderá ser suspensa. A Ubes denuncia que o aviso é em tom de ameaça. “O Ministério da Educação (MEC) enviou ofício a dirigentes da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica pedindo a identificação dos estudantes que ocupam os institutos. A Ubes repudia também a ameaça do MEC de cobrar multa dos estudantes e entidades que sejam identificados como responsáveis pelas ocupações”.
O Sindipúblicos se solidariza com os estudantes e acredita que apenas com a união dos servidores, estudantes e demais trabalhadores é possível garantir a manutenção dos direitos historicamente conquistados.