ES é o estado que menos investe em seus servidores. Mobilização por reestruturação de carreiras é fundamental.

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Com apenas 36,05% da Receita Corrente Líquida (RCL) destinada a gastos com pessoal em 2024, o Espírito Santo amarga o posto de um dos estados que menos investem em seus servidores públicos, muito abaixo da média nacional de 42,80%. O dado, revelado pelo Tesouro Transparente e pelo Painel de Controle do TCE-ES, escancara uma realidade preocupante: a força de trabalho do Estado está sendo negligenciada.

Entre 2016 e 2024, o percentual médio investido em pessoal ficou em 39,29%, sempre longe dos limites legais permitidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A legislação permite que o Executivo comprometa até 49% da RCL ajustada com folha salarial — mas nem mesmo o limite prudencial (46,55%) ou o limite de alerta (44,10%) foram alcançados, mesmo em períodos de crescimento da arrecadação.

O paradoxo capixaba: folga fiscal sem valorização

Apesar da ampla margem fiscal, os servidores enfrentam uma dura realidade: salários defasados, auxílio-alimentação que não garante uma alimentação digna e carreiras que não acompanham a complexidade e responsabilidade dos cargos. A pergunta que não quer calar: de que adianta um bom desempenho fiscal se quem move a máquina pública não é reconhecido?

A consequência é clara: evasão crescente e desmotivação generalizada. Apesar da situação ser verificada em diversas secretarias e autarquias, chama atenção os dados relativos à recente carreira de Analista do Executivo. Desde 2023, 72 servidores que assumiram o cargo pediram exoneração, do total de 376 servidores que ingressaram na carreira a partir desse período, 24,46% sequer tomaram posse, enquanto a taxa de evasão dos que assumiram é de 16,07%. No total, 36,36% dos aprovados não permaneceram nos cargos.

No IEMA (Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos), o cenário também é alarmante. Cerca de 39% dos servidores nomeados no último concurso não tomaram posse ou já deixaram os cargos. A principal causa? Defasagem salarial superior a 50% e condições de trabalho aquém do esperado.

No Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural), os efeitos também são sentidos. De acordo com documento divulgado em 2023, o Instituto contava com apenas 364 profissionais ativos entre os 568 previstos, uma redução de quase 40%.

Campanha Salarial 2025: Valorize quem faz acontecer!

Diante desse quadro, o Sindipúblicos lança a Campanha Salarial 2025 com foco total na reestruturação das carreiras do Executivo Estadual, uma resposta direta às distorções criadas pelo “Carreirão” — implantado pela Seger sem diálogo com os servidores ou com o sindicato.

Para virar o jogo, o Sindicato intensifica as visitas às bases e convoca os servidores para um grande ato de mobilização na Assembleia Geral Unificada, que acontece:

🗓 Quinta-feira, 10 de abril
🕙 Às 10h
📍 Em frente à Seger

A mobilização é decisiva para garantir:

  • Reestruturação das carreiras do Executivo
  • Reposição das perdas inflacionárias (RGA)
  • Reajuste no auxílio-alimentação
  • Pagamento de precatórios e da Trimestralidade

“Os dados fiscais deixam claro que há espaço para avançar na valorização profissional. A união dos servidores é essencial para conquistar dignidade, reconhecimento e condições de trabalho justas. Este ano é decisivo. Contamos com a participação ativa de todos”, destaca Renata Setúbal, presidenta do Sindipúblicos.

 

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Foto: Arquivo / Texto: Douglas Dantas