ES cresce em receita, mas reduz investimento nos servidores

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Os resultados fiscais do Espírito Santo no primeiro quadrimestre de 2026 foram apresentados em audiência pública na Assembleia Legislativa e revelam um cenário contraditório: enquanto a arrecadação estadual cresce e os investimentos batem recorde, o percentual destinado aos servidores do Executivo segue em queda.

Segundo os dados apresentados na ALES e também constantes no Portal do Tribunal de Contas do Estado do ES (TCE-ES), a Receita Total Líquida do Estado alcançou R$ 11,2 bilhões entre janeiro e abril, um crescimento nominal de 23,5% em relação ao mesmo período de 2025. No entanto, o investimento com servidores do Executivo até maio foi de apenas 34,25%, bem abaixo do limite prudencial de 44,1% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O percentual também é inferior ao registrado nos últimos anos: 35,41% em 2025, 36,05% em 2024 e 38,29% em 2023. Em dez anos, o Estado reduziu em 10% o investimento nos servidores do executivo, passando de 44,98% para 34,25%.

Outro ponto de preocupação é a educação, que recebeu até maio de 2026 apenas 21,96% da receita, abaixo do limite constitucional de 25% obrigatório.

Defesa da valorização dos servidores

Para o Sindipúblicos, os números reforçam a necessidade de valorização dos servidores estaduais. A pauta da categoria inclui a recomposição das perdas salariais acumuladas durante a pandemia, a concessão do auxílio-nutrição aos aposentados e o pagamento do precatório da trimestralidade, entre outros pontos.

O diretor do sindicato, Tadeu Guerzet, destacou que o cenário fiscal positivo demonstra a capacidade de melhoria no investimento em pessoal.Aqui está o depoimento reescrito de forma mais objetiva e direta:

”O aumento da receita sem a devida valorização dos servidores, com salários que sequer repuseram a inflação, significa que o Estado está empobrecendo o funcionalismo e concentrando renda.Ficamos mais pobres em relação ao salário mínimo, em relação aos servidores federais , municipais e à iniciativa privada. Se essa política não mudar, além de sermos o Estado que menos investe percentualmente em seus servidores, também seremos o que pior remunera. O tímido avanço promovido pelo governo Casagrande/Ferraço, não foi capaz de repor as perdas acumuladas e deixou o servidor público mais pobre”.

Contradição entre arrecadação e investimento

Enquanto o governo celebra superávit e endividamento negativo — com a Dívida Consolidada Líquida em -53,5% da Receita Corrente Líquida —, o sindicato alerta para o risco de enfraquecimento do serviço público diante da queda contínua no percentual de investimento em pessoal. Para o Sindipúblicos, a luta pela valorização da categoria é essencial para garantir que os avanços fiscais se traduzam em melhorias concretas para a sociedade.

Avanços

Apesar dos números, a luta dos servidores junto ao Sindicato trouxe avanços para a categoria, como a reestruturação das carreiras do executivo e a implantação da mesa de negociação permanente entre outros pontos. No entanto, demonstra que pode-se avançar ainda mais garantindo direitos e melhorando a qualidade de vida dos profissionais.

“Para avançarmos, é fundamental a sindicalização e a união dos servidores. Toda conquista é fruto da luta sindical. Nada é conquistado por acaso. Vamos juntos discutir no nosso VIII Congresso nossas pautas prioritárias e nosso plano de lutas” comenta Renata Setúbal, presidenta do Sindipúblicos. 

 

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Por Douglas Dantas | Foto: Divulgação