
Na manhã desta sexta-feira (24), representantes de diversas entidades sindicais e movimentos sociais se reuniram na sede do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil (Sindelpo-ES) para discutirem as últimas ações do governo estadual, dentre essas o afastamento do delegado Rodolfo Laterza do Nurocc por ele deter mandato sindical, e a censura à imprensa aos boletins de ocorrência.
A justificativa da Sesp do afastamento ter sido por questões sindicais, devido o delegado ser presidente do Sindeldo, foi classificada pelas entidades como descabida e fere os princípios trabalhistas, sindicais e constitucionais.
O que se torna estranho é a Secretaria não levar em consideração todo o trabalho desenvolvido pelo profissional e esta mesma secretaria ter negado ao delegado, quando esse assumiu o Sindelpo, o seu pedido de afastamento.
Vale ressaltar, que o presidente do Sindelpo é declaradamente apartidário, sem pretensões políticas, sem sequer possuir filiação partidária e nem título de eleitor do Espírito Santo. “Eu e meus colegas só defendemos e atuamos no sentido da moralização do poder público, não podemos achar que segurança pública se faz apenas com repressão ao tráfico e aos homicídios. É preciso que todos os delitos, inclusive o crime à administração pública, seja investigado e punido. Precisamos atuar sempre com o princípio do respeito à igualdade, sem privilégios aos mais favorecidos.” pondera Rodolfo Laterza.
Os sindicatos presentes se solidarizaram ao delegado Rodolfo Laterza e toda classe da qual representa e repudiaram veemente a atitude do Governo ao classificarem como uma total afronta ao movimento sindical, ferindo às prerrogativas inclusive internacionais estabelecidas pela OIT, da qual o Brasil é signatário. “Não podemos aceitar que em um estado com alto índice de criminalidade, diversos casos de corrupção, o governo estadual afaste um operador da segurança pública por este ser dirigente sindical, e justamente um profissional que já trouxe vários benefícios à sociedade por ter desarticulado grandes esquemas de corrupção e criminal”, reforçou Rodrigo Rodrigues, diretor do Sindipúblicos e da Abrap.
Os presentes avaliaram como emergencial a situação que se encontra as políticas públicas no Estado, em especial a segurança. E diante do atual cenário, deliberaram pela necessidade da criação de um fórum legalmente constituído para atuar contra as ingerências governamentais que tem afetado toda a sociedade propondo alternativas que garantam políticas públicas de qualidade.
“Precisamos articular uma entidade autônoma, que possa pensar e se articular contra tantos desmandos que estão acontecendo no Espírito Santo, que afetam diretamente o cidadão. É preciso que Governo garanta o Estado Democrático de Direito, respeitando as prerrogativas constitucionais e dando autonomia aos profissionais para investigar” avaliou André Moreira, advogado e militante de movimentos sociais.
Os presentes deliberaram por levar as propostas discutidas às mais de dez entidades das quais estavam representando e durante os próximos dias continuar a articulação para que se efetive a criação desse fórum inclusive com a adesão de outros sindicatos e movimentos sociais que não puderam estar presente.