Deputados estaduais cancelam homenagem que ocorreria na Ales nesta quinta (31), pelo aniversário do Golpe Militar

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Por 15 votos contra 6, os deputados estaduais aprovaram nesta quarta-feira (30) o cancelamento da sessão de homenagem que ocorreria nesta quinta-feira (31), na Assembleia Legislativa (Ales), aos 58 anos do Golpe Militar de 1964, proposta pelo deputado Capitão Assumção (PL) e aprovada em fevereiro na Casa. 

A deputada Iriny Lopes (PT) apresentou o pedido de cancelamento que  foi lido e votado pelo Plenário na sessão ordinária desta quarta-feira (30). Também foi protocolado na Assembleia Legislativa um requerimento da seccional do Espírito Santo da OAB que considerou a realização de uma sessão especial em homenagem à ditadura uma afronta à história do Brasil. 

Contra o requerimento da deputada Iriny e a favor da realização da sessão votaram os deputados Capitão Assumção (PL), Carlos Von (Avante), Delegado Danilo Bahiense (PL), Pr. Marcos Mansur (PSDB), Theodorico Ferraço (DEM) e Torino Marques (PSL). 

O vice-presidente do Sindipúblicos Rodolfo Simões de Melo ressaltou os abusos aos quais muitos trabalhadores foram submetidos durante o regime ditatorial, que reprimiu fortemente o movimento operário e interferiu nos sindicatos a fim de reduzir direitos sociais sem sofrer a reação dos trabalhadores organizados. 

A ditadura desarticulou completamente o movimento sindical no Brasil e isso acabou deixando o trabalhador muito desguarnecido em relação às lutas e até mesmo exposto a situações análogas à escravidão. Temos como exemplo icônico o garimpo no Brasil, isso foi acontecendo em decorrência da perseguição aos sindicatos durante a ditadura militar. Após a democratização, isso foi aos poucos sendo desfeito, os sindicatos retornaram à sua legalidade e isso deu ao trabalhador a possibilidade de negociação com uma segurança jurídica e institucional para garantir seus direitos, então foi muito importante para a classe trabalhadora de modo geral no Brasil“, alerta Rodolfo. 

Na véspera do aniversário do golpe do dia 31 de março, o então ministro da Defesa, General Walter Braga Netto, que deixou o cargo neste dia, publicou nesta quarta-feira (30) um documento de “Ordem do Dia” em elogio à atuação das forças armadas no que chamou de “um marco histórico da evolução política brasileira”. 

Em reação à divulgação do texto, a expressão “dio e nojo” entrou entre os tópicos mais comentados do Twitter no Brasil, segundo a plataforma Trends24, em referência a um discursos do então presidente da Assembleia Nacional Constituinte Ulysses Guimarães, ao  promulgar a Constituição de 1988. 

“A Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa ao admitir a reforma. Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca. Traidor da Constituição é traidor da Pátria. Conhecemos o caminho maldito. Rasgar a Constituição, trancar as portas do Parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio e o cemitério. Quando após tantos anos de lutas e sacrifícios promulgamos o Estatuto do Homem da Liberdade e da Democracia bradamos por imposição de sua honra. Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo”, proferiu o Ulysses Guimarães em trecho de seu discurso, que pode ser conferido na íntegra no site da Câmara de Deputados.